Poemas neste tema
Amor Romântico
Maurício Batarce
Uma História de Amor
A brisa gloriosa da noite
Tocava o rosto daquele que,
Olhando para o céu,
Desmitificava as estrelas...
Uma sensação prazerosa o envolvia
E seus braços em forma de cruz
Determinavam seu estado de vida.
Ao seu lado, a mais bela,
A mais linda estrela da noite...
Cantavam as vozes dos vaga-lumes
E uma idéia em versos
Ia se formando na inspiração oculta...
Tudo era milagrosamente harmônico.
Uma face iluminou a noite
No auge de seu romantismo:
Semblante, rugas, experiência...
Humildade, carinho, amizades...
A peça teatral da vida
Se dividia em infinitos atos
E as cortinas se abriam
Para um público tão amplo
Quanto o amor dos personagens...
A atriz encenava carícias
Tão graciosas quanto a bruma noturna.
Com passos de bailarina,
Seu rosto continha uma expressão
De dó e compaixão que consumiam o ator...
No envolvimento do minuando,
Duas pombas pousaram
E captaram os pensamentos
Do ator no infinito...
Ator...Atriz...Silêncio...
As cortinas se fecham...
Tocava o rosto daquele que,
Olhando para o céu,
Desmitificava as estrelas...
Uma sensação prazerosa o envolvia
E seus braços em forma de cruz
Determinavam seu estado de vida.
Ao seu lado, a mais bela,
A mais linda estrela da noite...
Cantavam as vozes dos vaga-lumes
E uma idéia em versos
Ia se formando na inspiração oculta...
Tudo era milagrosamente harmônico.
Uma face iluminou a noite
No auge de seu romantismo:
Semblante, rugas, experiência...
Humildade, carinho, amizades...
A peça teatral da vida
Se dividia em infinitos atos
E as cortinas se abriam
Para um público tão amplo
Quanto o amor dos personagens...
A atriz encenava carícias
Tão graciosas quanto a bruma noturna.
Com passos de bailarina,
Seu rosto continha uma expressão
De dó e compaixão que consumiam o ator...
No envolvimento do minuando,
Duas pombas pousaram
E captaram os pensamentos
Do ator no infinito...
Ator...Atriz...Silêncio...
As cortinas se fecham...
1 004
Manuel Botelho de Oliveira
Vendo a Anarda Depõe o Sentimento
A serpe, que adornando várias cores,
com passos mais oblíquos, que serenos,
entre belos jardins, prados amenos,
é maio errante de torcidas flores;
se quer matar da sede os desfavores,
Os cristais bebe com a peçonha menos,
por que não morra com os mortais venenos,
se acaso gosta dos vitais licores.
Assim também meu coração queixoso,
na sede ardente do feliz cuidado
bebe cos olhos teu cristal formoso;
Pois para não morrer no gosto amado,
depõe logo o tormento venenoso,
se acaso gosta o cristalino agrado.
com passos mais oblíquos, que serenos,
entre belos jardins, prados amenos,
é maio errante de torcidas flores;
se quer matar da sede os desfavores,
Os cristais bebe com a peçonha menos,
por que não morra com os mortais venenos,
se acaso gosta dos vitais licores.
Assim também meu coração queixoso,
na sede ardente do feliz cuidado
bebe cos olhos teu cristal formoso;
Pois para não morrer no gosto amado,
depõe logo o tormento venenoso,
se acaso gosta o cristalino agrado.
1 978
Maurício Batarce
A Sombra de Meu Viver
Penso em você nesse momento...
Seus olhos iluminam minhas noites,
Seus cabelos esvoaçam ao vento
E sua voz me chama a todo momento.
Meu mundo está a seus pés
E navego em lago dourado...
Seus olhos superam o poder das marés
E carregam meus versos minguados.
Você é tão bela quanto a natureza
E tem sonhos tão leves quanto a bruma.
Foi feita com extrema beleza
E tem a maciez da pluma.
Não existem palavras para você
Que é a essência de meu ser;
Não existem formas para me expressar
Porque você é a sombra de meu viver...
Seus olhos iluminam minhas noites,
Seus cabelos esvoaçam ao vento
E sua voz me chama a todo momento.
Meu mundo está a seus pés
E navego em lago dourado...
Seus olhos superam o poder das marés
E carregam meus versos minguados.
Você é tão bela quanto a natureza
E tem sonhos tão leves quanto a bruma.
Foi feita com extrema beleza
E tem a maciez da pluma.
Não existem palavras para você
Que é a essência de meu ser;
Não existem formas para me expressar
Porque você é a sombra de meu viver...
798
Maurício Batarce
Desventuras
Ao longe meus olhos encerram,
Na língua do martírio,
Um sorriso novo ao longo
Do mundo que giro...
Nas vozes loucas,
Em meio à vida,
Recebo um sonho
De despedidas...
Nunca senti a voz da tortura.
Nem uma turva idéia errante.
Sempre busquei nas amarguras,
As faces de minha vida infante...
Música se ouve
E o amor me vem.
Estou só comigo mesmo,
Mas ainda assim tenho alguém...
Na língua do martírio,
Um sorriso novo ao longo
Do mundo que giro...
Nas vozes loucas,
Em meio à vida,
Recebo um sonho
De despedidas...
Nunca senti a voz da tortura.
Nem uma turva idéia errante.
Sempre busquei nas amarguras,
As faces de minha vida infante...
Música se ouve
E o amor me vem.
Estou só comigo mesmo,
Mas ainda assim tenho alguém...
822
Sérgio Mattos
Registro
Criamos um momento
de calma e esperança,
quando, sem enganos
nos olhamos e ganhamos tempo.
Senti a ternura e tua mão
e o destino nosso encontro marcou,
abrindo, docemente, uma página da vida
onde nossas mãos se cruzam
e o amor floresce.
de calma e esperança,
quando, sem enganos
nos olhamos e ganhamos tempo.
Senti a ternura e tua mão
e o destino nosso encontro marcou,
abrindo, docemente, uma página da vida
onde nossas mãos se cruzam
e o amor floresce.
954
Maurício Uzêda
Sonho
Sentado na cama
Eu te vejo dormir
No teu sono largado
Sono de criança
Meu sonho
Encolhida sob o lençol
Eu não te vejo.
Escondida, eu penso.
Sonho feito carne
É meu sonho de criança
Feito vida enquanto durmo
Pedaço de mim
Materializou-se
Minha doce expiração
Minha doce concepção
Teu corpo
Teus dois braços
Onde moro
Onde vivo
Onde sonho
Onde sou feliz
Eu te vejo dormir
No teu sono largado
Sono de criança
Meu sonho
Encolhida sob o lençol
Eu não te vejo.
Escondida, eu penso.
Sonho feito carne
É meu sonho de criança
Feito vida enquanto durmo
Pedaço de mim
Materializou-se
Minha doce expiração
Minha doce concepção
Teu corpo
Teus dois braços
Onde moro
Onde vivo
Onde sonho
Onde sou feliz
808
Maurício Uzêda
Torrente
E quando ao turbulento rio desse meu desejo
Você abriu seus braços
Tornou-se minha paixão remanso
E a corrente que até então revolta
Carregava as minhas margens
E tristemente se fechava em charcos
Vi tornar-se água clara
Transparente e viva
Fecundando os campos
Serenamente
Se dirigindo ao mar.
Você abriu seus braços
Tornou-se minha paixão remanso
E a corrente que até então revolta
Carregava as minhas margens
E tristemente se fechava em charcos
Vi tornar-se água clara
Transparente e viva
Fecundando os campos
Serenamente
Se dirigindo ao mar.
748
Sérgio Mattos
Pancada Grande
Refúgio de andorinhas,
a cachoeira da Pancada Grande,
como um véu sagrado,
protegeu o casal enamorado,
selando um compromisso
mágico, colorido e acalorado.
Sob a força da água corrente
ouvi as três pancadas
da cachoeira, marcando o compasso
das batidas dos corações.
Batidas aceleradas,
cheias de vida e ação,
buscando preencher os espaços,
físico e espiritual,
num verdadeiro ritual,
criando elos de aço
que não podem ser rompidos
nem corrompidos.
— O elo une amizade, sentimentos,
alegrias, sofrimentos
e experiências de vidas passadas.
a cachoeira da Pancada Grande,
como um véu sagrado,
protegeu o casal enamorado,
selando um compromisso
mágico, colorido e acalorado.
Sob a força da água corrente
ouvi as três pancadas
da cachoeira, marcando o compasso
das batidas dos corações.
Batidas aceleradas,
cheias de vida e ação,
buscando preencher os espaços,
físico e espiritual,
num verdadeiro ritual,
criando elos de aço
que não podem ser rompidos
nem corrompidos.
— O elo une amizade, sentimentos,
alegrias, sofrimentos
e experiências de vidas passadas.
844
Sérgio Mattos
Caminho da Esperança
No simétrico caminho da esperança
meu barco rodeia o espaço
e quando a luz escassa
atrai um tempo frio,
meu sonho se acende,
alheio à própria vida,
e me impele sem artifícios,
para teu braços.
Minha dor se dilui
e, enquanto teus dedos deslizam
em meus cabelos,
renasce mais uma estrela infinita.
meu barco rodeia o espaço
e quando a luz escassa
atrai um tempo frio,
meu sonho se acende,
alheio à própria vida,
e me impele sem artifícios,
para teu braços.
Minha dor se dilui
e, enquanto teus dedos deslizam
em meus cabelos,
renasce mais uma estrela infinita.
929
Sérgio Mattos
Quando Sinto
Quando sinto o desencanto, procuro tuas mãos
que trazem o conforto e me fazem palpitar.
Permaneço disperso, sentindo teu perfume
e tua presença, suspensa nas nuvens da imaginação.
Do papel onde escrevo, tuas curvas tomam formas
e, como sombra, teu corpo nu, eu vejo.
Um sorriso va enche-me o rosto
e na tentativa de acariciar-te ouço longe,
muito longe, passos, vozes e o bater da máquina de escrever.
Teu corpo nu desaparece, enquanto o tempo volta a agir
e minhas mãos a trabalhar.
Um leve tremor invade-me a alma
e uma complacente esperança
consola-me, porque tenho certeza
de ao chegar em casa, sobre a cama,
encontrar teu corpo quente.
que trazem o conforto e me fazem palpitar.
Permaneço disperso, sentindo teu perfume
e tua presença, suspensa nas nuvens da imaginação.
Do papel onde escrevo, tuas curvas tomam formas
e, como sombra, teu corpo nu, eu vejo.
Um sorriso va enche-me o rosto
e na tentativa de acariciar-te ouço longe,
muito longe, passos, vozes e o bater da máquina de escrever.
Teu corpo nu desaparece, enquanto o tempo volta a agir
e minhas mãos a trabalhar.
Um leve tremor invade-me a alma
e uma complacente esperança
consola-me, porque tenho certeza
de ao chegar em casa, sobre a cama,
encontrar teu corpo quente.
935
Sérgio Mattos
Palavra Animada
Um dia animarei
meus sonhos com um sopro
criador.
Um dia moldarei
as palavras e os poemas
só vão tratar de amor.
meus sonhos com um sopro
criador.
Um dia moldarei
as palavras e os poemas
só vão tratar de amor.
1 054
Marta Gonçalves
O canário da Menina
Menina na calçada olhava os passarinhos
Seu Lolô, de gravata borboleta, descia a rua:
Vou trazer um canário pra menina.
Na avenida, o bonde passava, a enxurrada passava.
Tempo de manga, tempo de goiaba, tempo de papagaios.
Menina na calçada, seu Lolô descendo a rua.
No amor, a menina bateu asas.
Voou nos rostos. Beijou faces.
Sonhou com o mar. Descobriu o infinito vôo
da gaivota.
Tanto passarinho tantos vôos tanta saudade.
Seu Lolô, de gravata borboleta, descia a rua:
Vou trazer um canário pra menina.
Na avenida, o bonde passava, a enxurrada passava.
Tempo de manga, tempo de goiaba, tempo de papagaios.
Menina na calçada, seu Lolô descendo a rua.
No amor, a menina bateu asas.
Voou nos rostos. Beijou faces.
Sonhou com o mar. Descobriu o infinito vôo
da gaivota.
Tanto passarinho tantos vôos tanta saudade.
1 097
Sérgio Mattos
Meu Amor
Meu amor não seque normas
da gramática
Não tem regras nem exceções
Tudo dá certo,
como na matemática.
Eu gosto do teu balançar
e do teu cheiro
Teu aroma me encanta
Sinto tua presença
palpitar em meu peito.
Teu encanto me seduz
O meu amor
não é medido.
É sentido
intensamente,
livremente...
— Quero te amar
em qualquer lugar—
da gramática
Não tem regras nem exceções
Tudo dá certo,
como na matemática.
Eu gosto do teu balançar
e do teu cheiro
Teu aroma me encanta
Sinto tua presença
palpitar em meu peito.
Teu encanto me seduz
O meu amor
não é medido.
É sentido
intensamente,
livremente...
— Quero te amar
em qualquer lugar—
860
Marta Gonçalves
Cristaleira
Vamos abrir juntos a janela
escutar a conversa da cristaleira.
Quero sorver o vinho mas me agarro
ao cristal.
escutar a conversa da cristaleira.
Quero sorver o vinho mas me agarro
ao cristal.
1 011
Maurício Batarce
A Sonata do Amor
Na noite opaca do luar
Tento imaginar você.
Seus sentimentos me vêm
E sua alma cristalina
Exala de seu corpo
Por onde navego delirante.
Minhas palavras ante - românticas
Não são nada para seus gestos romanescos.
Ao som de um piano
Com flauta ao fundo
Imagino-lhe caminhando nas notas.
O dedo que corre ao piano
Toca-lhe sensivelmente
E o romantismo da flauta
Penetra em seu interior.
Música sai de seus lábios em sussurros...
O resplandecer do sol
E a beleza do crepúsculo
Não são mais belos que a música de seus lábios
Você é o sopro de vida do mundo...
Tento imaginar você.
Seus sentimentos me vêm
E sua alma cristalina
Exala de seu corpo
Por onde navego delirante.
Minhas palavras ante - românticas
Não são nada para seus gestos romanescos.
Ao som de um piano
Com flauta ao fundo
Imagino-lhe caminhando nas notas.
O dedo que corre ao piano
Toca-lhe sensivelmente
E o romantismo da flauta
Penetra em seu interior.
Música sai de seus lábios em sussurros...
O resplandecer do sol
E a beleza do crepúsculo
Não são mais belos que a música de seus lábios
Você é o sopro de vida do mundo...
1 039
Sérgio Mattos
Sonhei Orizontes
Sonhei horizontes.
Vivi, entre vírgulas, um hiato.
Andei exclamando paixões
e interrogando amores:
(dois pontos)
De repente,
quebrei lanças de solidão
na solidez de teu coração...
Vivi, entre vírgulas, um hiato.
Andei exclamando paixões
e interrogando amores:
(dois pontos)
De repente,
quebrei lanças de solidão
na solidez de teu coração...
933
Sérgio Mattos
Asas para Amar
Um dia colocarei asas
em teu vestido branco
e como anjo poderás
flutuar no espaço e
bordejar como colibri,
sugando das bocas que queiras
o néctar que necessitas para alimentar teu amor.
em teu vestido branco
e como anjo poderás
flutuar no espaço e
bordejar como colibri,
sugando das bocas que queiras
o néctar que necessitas para alimentar teu amor.
958
Marco Antônio de Souza
Intuição ou Esperança
Refugiar-me contigo
à beira da paz;
subir da neurose ao nirvana
e em êxtase pacífico,
saborear teus lábios e teu corpo:
esta é a minha ventura,
esperança-perdição de todas as horas !!!
à beira da paz;
subir da neurose ao nirvana
e em êxtase pacífico,
saborear teus lábios e teu corpo:
esta é a minha ventura,
esperança-perdição de todas as horas !!!
864
Marigê Quirino Marchini
Sonetos Venezianos
Melhora Amor, sorrindo, amor que tenho:
deste resto salino de lembranças
forma lagunas e o molhado lenho,
gôndolas que antecipam as bonanças;
do som e acorde, cores e aláude,
faz um quarteto de perfeita dor,
por onde, navegando em beatitude
de Veneza, em acústico langor
as vibrações nos ares geram paz,
vitrais em claridade bizantina
- abre-se o sol em círculos, refaz,
de lembranças salinas, de saudade,
Amor se espelha nágua cristalina,
dourados picos, rútila cidade.
deste resto salino de lembranças
forma lagunas e o molhado lenho,
gôndolas que antecipam as bonanças;
do som e acorde, cores e aláude,
faz um quarteto de perfeita dor,
por onde, navegando em beatitude
de Veneza, em acústico langor
as vibrações nos ares geram paz,
vitrais em claridade bizantina
- abre-se o sol em círculos, refaz,
de lembranças salinas, de saudade,
Amor se espelha nágua cristalina,
dourados picos, rútila cidade.
1 088
Marco Antônio de Souza
Instrumentos de Trabalho
Brota a broca da tua mão
como a caneta da minha;
você faz versos com diamante,
eu me restauro com palavras...
Tuas rimas são de ouro,
a tristeza é o metal que liga meus motes !
Tua métrica é tão funda
quanto a profundidade da cárie;
Minha cárie é este destino,
que me fez poeta, antes de homem...
Teus sonetos são esculturas protéticas,
artísticamente lavradas e adaptadas;
minha prótese mais separa do que une
pois às vezes vergasta e fere...
Por ironia,
se é com a caneta que você ganha a vida,
eu também com a caneta
vivo arriscado a perder a minha...
Que dirão os astros
da união de um poeta com uma dentista ?
como a caneta da minha;
você faz versos com diamante,
eu me restauro com palavras...
Tuas rimas são de ouro,
a tristeza é o metal que liga meus motes !
Tua métrica é tão funda
quanto a profundidade da cárie;
Minha cárie é este destino,
que me fez poeta, antes de homem...
Teus sonetos são esculturas protéticas,
artísticamente lavradas e adaptadas;
minha prótese mais separa do que une
pois às vezes vergasta e fere...
Por ironia,
se é com a caneta que você ganha a vida,
eu também com a caneta
vivo arriscado a perder a minha...
Que dirão os astros
da união de um poeta com uma dentista ?
847
Marigê Quirino Marchini
República Celeste da Poesia
Aquática e translúcida Veneza,
arquétipo insulano, passional,
do Adriático a núbil Dogaresa,
lunissolar pintura do irreal,
em ti me construindo astral poema
de celestial cidade em tua finura,
por ele te habitar, Amor me emblema
com centelhas de íntima ternura,
põe em Veneza e em mim a geometria
de uns altos picos, recendendo a lume,
loura noite que náutica alumia,
por águas de salinas violetas
fosforece dos sonhos o cardume,
fixa a cidade, giram-me os planetas.
- III -
Água e eu, este dom, dádiva inteira
como Veneza, tu, Domus antiga,
se rodeamos, sonho, a cumeeira
silvestre nos perfuma a lua cheia.
O luar de Vivaldi, mensageiro,
atravessando o céu em suas estrelas
e o seu caminho é o mesmo que o de Amor,
angelical paixão é a lua cheia.
O luar de Vivaldi e cancioneiros
damore é demorado o seu perfume,
silvestre é o deslizar dos gondoleiros,
silvestre a doação, que faço inteira,
como Laguna e Golfo e doce lume,
à angelical paixão da lua cheia.
- VI -
Em arquipélago, amoráveis ilhas,
raia Veneza em água, alacridade,
cortam seus pulsos, lendas, maravilhas
de um latejar de sol e mocidade.
De palavras celeste viração
agita lentamente os seus canais,
e tudo flui em ondas e canção,
perpassa em flauta o vento seus murais.
Enquanto um celestial texto eu vou lendo,
reflexos nágua e lírica poesia,
já vai Amor em brasa me escrevendo
e mais já fere Amor em seus enganos,
com sua perfídia, fogo e maresia,
do que a gentil cidade em desenganos.
arquétipo insulano, passional,
do Adriático a núbil Dogaresa,
lunissolar pintura do irreal,
em ti me construindo astral poema
de celestial cidade em tua finura,
por ele te habitar, Amor me emblema
com centelhas de íntima ternura,
põe em Veneza e em mim a geometria
de uns altos picos, recendendo a lume,
loura noite que náutica alumia,
por águas de salinas violetas
fosforece dos sonhos o cardume,
fixa a cidade, giram-me os planetas.
- III -
Água e eu, este dom, dádiva inteira
como Veneza, tu, Domus antiga,
se rodeamos, sonho, a cumeeira
silvestre nos perfuma a lua cheia.
O luar de Vivaldi, mensageiro,
atravessando o céu em suas estrelas
e o seu caminho é o mesmo que o de Amor,
angelical paixão é a lua cheia.
O luar de Vivaldi e cancioneiros
damore é demorado o seu perfume,
silvestre é o deslizar dos gondoleiros,
silvestre a doação, que faço inteira,
como Laguna e Golfo e doce lume,
à angelical paixão da lua cheia.
- VI -
Em arquipélago, amoráveis ilhas,
raia Veneza em água, alacridade,
cortam seus pulsos, lendas, maravilhas
de um latejar de sol e mocidade.
De palavras celeste viração
agita lentamente os seus canais,
e tudo flui em ondas e canção,
perpassa em flauta o vento seus murais.
Enquanto um celestial texto eu vou lendo,
reflexos nágua e lírica poesia,
já vai Amor em brasa me escrevendo
e mais já fere Amor em seus enganos,
com sua perfídia, fogo e maresia,
do que a gentil cidade em desenganos.
956
Mariana Angélica de Andrade
Só Por Ti
Se a luz dos teus olhares me reanima,
Dando-me gozos que jamais senti;
Se és a minha esperança mais querida,
Hei-de perder-te? Não! Se o amor é vida,
Quero viver por ti!
Mas se a vida tem dores cruciantes,
Temer não sei! Para sofrer nasci…
Abraço a minha cruz, busco o tormento,
E embora me domine o desalento
Quero sofrer por ti!
Não estranho os espinhos da desdita,
Porque sempre em espinhos me feri…
Se hei-de trilhar ainda mais abrolhos,
Se mais prantos virão turvar meus olhos,
Quero chorar por ti!
Só pelo teu afecto esqueço os entes
Que mais amei na terra, e que perdi!
É destino! Quem foge à sua sorte?…
Eu a bendigo; e, se o amor é morte,
Quero morrer por ti!
Dando-me gozos que jamais senti;
Se és a minha esperança mais querida,
Hei-de perder-te? Não! Se o amor é vida,
Quero viver por ti!
Mas se a vida tem dores cruciantes,
Temer não sei! Para sofrer nasci…
Abraço a minha cruz, busco o tormento,
E embora me domine o desalento
Quero sofrer por ti!
Não estranho os espinhos da desdita,
Porque sempre em espinhos me feri…
Se hei-de trilhar ainda mais abrolhos,
Se mais prantos virão turvar meus olhos,
Quero chorar por ti!
Só pelo teu afecto esqueço os entes
Que mais amei na terra, e que perdi!
É destino! Quem foge à sua sorte?…
Eu a bendigo; e, se o amor é morte,
Quero morrer por ti!
1 207
Marcelo Almeida de Oliveira
Só mais um
Mais um dia de concreto;
passos certos de quem tem destino;
olhos vão ao chão entre pés e sombras
que não ouvem a tempestade que ronda
na cabeça dos que são como eu,
ossos, carne e dor,
exalando palavras de amor
neste mundo que já se esqueceu
de quão bonito e perfeito poderia ser.
Mas no momento tenho que parar,
o sofrer agora é fadiga, e me consome.
Só nos braços dela encontro a cura.
Só os beijos dela podem me refazer.
Em passos tristes sigo
ao ver o irmão
que a fome roubou o orgulho;
por ele e por outros eu juro
que em breve retornarei mais forte;
mesmo que ainda me fira, ainda me corte,
deixar meu amor dormindo, no escuro,
depois de tudo...
Da esquina chegam notícias distantes,
do irmão que teve a paz tomada pela guerra;
que nem o silêncio nem a distância me deixem esquecer,
Mesmo depois de ser amado por ela,
muito perto agora, ouço você
me abre a porta e um sorriso
que me esquenta em paz e alegria;
a tempestade se vai salgada em teu colo;
agora sonho, sonho de seria, e será... um dia.
passos certos de quem tem destino;
olhos vão ao chão entre pés e sombras
que não ouvem a tempestade que ronda
na cabeça dos que são como eu,
ossos, carne e dor,
exalando palavras de amor
neste mundo que já se esqueceu
de quão bonito e perfeito poderia ser.
Mas no momento tenho que parar,
o sofrer agora é fadiga, e me consome.
Só nos braços dela encontro a cura.
Só os beijos dela podem me refazer.
Em passos tristes sigo
ao ver o irmão
que a fome roubou o orgulho;
por ele e por outros eu juro
que em breve retornarei mais forte;
mesmo que ainda me fira, ainda me corte,
deixar meu amor dormindo, no escuro,
depois de tudo...
Da esquina chegam notícias distantes,
do irmão que teve a paz tomada pela guerra;
que nem o silêncio nem a distância me deixem esquecer,
Mesmo depois de ser amado por ela,
muito perto agora, ouço você
me abre a porta e um sorriso
que me esquenta em paz e alegria;
a tempestade se vai salgada em teu colo;
agora sonho, sonho de seria, e será... um dia.
786
Mário Hélio
2 - II (Avis rara)
ser vontade de pássaro,
as asas adejar pelo infinito crocitante
e acenar aos mecenas de saturno
que eu também vôo!
mas é a fala que cala,
resvala no último ogro que há.
força mágica que assassina as estrelas,
riso de fogo que incendeia a alma,
no entanto feroz vejo-te calma,
e me olhas, eu te olho, e nos olhamos
num olhar patético e néscio até.
eu poderia dizer da tua voz doce e mansa
sáltria divina cavatina de delírio
sei porém que inadvertida
pela imagem da força da distância
irá impelida pelo amargor que envolve toda vida,
e tua boca que ora ri e me deleita
se abrirá como em rictus selvagem
sinto e pressinto
que ferirá minhalma
que busca a tua qual orfeu a amada
o teu olhar em negra claridade
ofuscando os sóis.
as asas adejar pelo infinito crocitante
e acenar aos mecenas de saturno
que eu também vôo!
mas é a fala que cala,
resvala no último ogro que há.
força mágica que assassina as estrelas,
riso de fogo que incendeia a alma,
no entanto feroz vejo-te calma,
e me olhas, eu te olho, e nos olhamos
num olhar patético e néscio até.
eu poderia dizer da tua voz doce e mansa
sáltria divina cavatina de delírio
sei porém que inadvertida
pela imagem da força da distância
irá impelida pelo amargor que envolve toda vida,
e tua boca que ora ri e me deleita
se abrirá como em rictus selvagem
sinto e pressinto
que ferirá minhalma
que busca a tua qual orfeu a amada
o teu olhar em negra claridade
ofuscando os sóis.
804