Lista de Poemas

QUAL NO RAMO SE VÊ

Qual no ramo se vê, no mês de maio, a rosa,
Em bela floração e recente frescor,
Causar inveja ao céu, por sua viva cor,
Quando, ao pranto da aurora, estremece formosa;

Repousam Graça e Amor na pétala cheirosa,
Perfumando o jardim e as plantas ao redor;
Mas, vítima da chuva ou de excessivo ardor,
A se despetalar, fenece a flor mimosa.

Assim, quando floria a tua formosura,
Honrando a terra e o céu tua gentil figura,
Em cinzas te tornou a Parca rigorosa.

Como exéquias recebe o meu pranto e gemido,
Esta jarra de leite, este cesto florido:
O teu corpo há de ser, vivo ou mono, uma rosa.

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Ode à sa maistresse

Quand au temple nous serons
Agenouillés, nous ferons
Les devots selon la guise
De ceus qui pour loüer Dieu,
Humbles se courbent au lieu
Le plus secret de leglise.
Mais quand au lit nous serons
Entrelassés, nous ferons
Les lascifs, selon les guises
Des amans, qui librement
Pratiquent folatrement
Dans les dras cent mignardises.
Pourquoi donque, quand je veus
Ou mordre tes beaus cheveus,
Ou baiser ta bouche aimée,
Ou tatonner ton beau sein,
Contrefais-tu la nonnain
Dedans un cloistre enfermée?
Pour qui gardes-tu tes yeus,
Et ton sein delicieus,
Ta joüe & ta bouche belle?
En veus-tu baiser Pluton
La-bas, apres que Caron
Taura mise en sa nacelle?
Apres ton dernier trespas
Gresle, tu nauras là bas
Quune bouchette blesmie:
Et quand mort je te verrois
Aus ombres je navuorois
Que jadis tu fus mamie.
Ton test naura plus de peau,
Et ton visage si beau
Naura venes ny arteres,
Tu nauras plus que les dens,
Telles quon les voit dedans
Les testes des cimeteres.
Donque, tandis que tu vis,
Change, maistresse, davis,
Et ne mespargne ta bouche:
Incontinent tu mourras,
Lors tu te repentiras
De mavoir esté farouche.
Ah je meurs, ah baise moi,
Ah maistresse approche toi,
Tu fuis come fan qui tremble,
Au moins soufre que ma main
Sesbate un peu dans ton sein,
Ou plus bas si bon te semble.

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Je te salue…

Je te salue, ô vermeillette fente
Qui vivement entre ces flancs reluis;
Je te salue, ô bienheuré pertuis,
Qui rend ma vie heureusement contente!
Cest toi qui fais que plus ne me tourmente
Larcher volant qui causait mes ennuis;
Tayant tenu seulement quatre nuits,
Je sens ma force en moi déjà plus lente.
Ô petit trou, trou mignard, trou velu,
Dun poil follet mollement crêpelu,
Qui à ton gré domptes les plus rebelles:
Tous verts galants devraient, pour thonnorer,
À beaux genoux te venir adorer,
Tenant au poing leurs flambantes chandelles!

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Identificação e contexto básico

Pierre de Ronsard, nomeado Conde de Ronsard, foi um poeta francês, amplamente considerado o maior poeta lírico da França no século XVI e um dos maiores da língua francesa. Nascido em 1524 ou 1525, faleceu em 1585. Era filho de um nobre e membro da corte, o que lhe permitiu ter acesso a uma educação e a uma carreira influente.

Infância e formação

Nascido no seio de uma família nobre e influente, Ronsard teve uma infância marcada pelo acesso a privilégios. Recebeu uma educação esmerada, que incluiu a aprendizagem do latim e do grego, e teve contato com a literatura clássica desde cedo. Um problema de saúde que o deixou parcialmente surdo, e que o impediu de seguir a carreira militar, direcionou seus estudos e seu interesse para a literatura e as artes.

Percurso literário

O percurso literário de Ronsard começou na juventude, com a publicação de suas primeiras obras que rapidamente lhe trouxeram reconhecimento. Ele foi uma figura central do grupo poético conhecido como "La Pléiade", que visava enobrecer a língua francesa através da imitação e adaptação de modelos clássicos e italianos. Ronsard dedicou-se intensamente à poesia, explorando diversos gêneros e formas, e manteve uma produção constante ao longo de sua vida, culminando em obras monumentais.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras principais de Ronsard incluem "Odes" (1550), "Les Amours de Cassandre" (1552), "Les Sonnets pour Hélène" (1578) e "Poèmes" (1560). Seus temas recorrentes são o amor, a efemeridade da vida e da beleza ("carpe diem"), a natureza, o tempo e a morte. Formalmente, Ronsard dominava o soneto e outras formas poéticas fixas, mas também experimentou com o verso livre. Sua linguagem é rica em imagens, musicalidade e referências mitológicas, com um tom que varia do lírico ao elegíaco, passando pelo satírico. Ele é associado ao movimento do Renascimento e ao lirismo humanista.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Ronsard viveu durante um período de intensas transformações na França, incluindo as Guerras de Religião entre católicos e protestantes. Ele manteve relações próximas com a corte e figuras importantes da época, como o rei Carlos IX, para quem escreveu poemas. Sua posição como poeta laureado lhe conferiu prestígio, mas também o expôs às tensões políticas e religiosas de seu tempo. O Renascimento europeu, com seu redescobrimento dos clássicos e o florescimento das artes e das humanidades, foi o pano de fundo de sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal As relações de Ronsard foram marcadas por sua devoção à corte e por seus amores platónicos, como o que inspirou "Les Amours de Cassandre". Sua dedicação à poesia foi quase exclusiva, embora tenha recebido ordens menores e uma pensão real. Sua saúde frágil, especialmente a surdez, o marcou profundamente, mas não o impediu de uma vida intelectual ativa.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Em vida, Ronsard foi amplamente reconhecido como o "príncipe dos poetas franceses" e recebeu honras e distinções da corte. Sua obra foi admirada por contemporâneos e, apesar de um período de declínio de popularidade após sua morte, foi redescoberta e reavaliada, consolidando seu lugar no cânone literário francês e europeu.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Ronsard foi influenciado por poetas latinos como Horácio e Virgílio, e por petrarquismo italiano. Ele, por sua vez, influenciou gerações de poetas franceses, especialmente durante os períodos do Classicismo e do Romantismo, e seu legado reside na consolidação da língua poética francesa e na maestria formal. Sua obra continua a ser estudada e admirada por sua beleza e profundidade.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Ronsard é frequentemente analisada sob a ótica do ideal renascentista, do amor cortês e da reflexão sobre a condição humana face ao tempo. Sua poesia explora a dualidade entre a beleza idealizada e a realidade fugaz, temas universais que ressoam com leitores ao longo dos séculos.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Um aspeto curioso é a sua parcial surdez, que o afetou desde jovem e moldou parte de sua experiência sensorial e artística. Apesar de sua posição privilegiada, Ronsard também demonstrava uma certa melancolia e reflexão sobre a fragilidade da vida, contrastando com a grandiosidade de sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Pierre de Ronsard faleceu em 1585, cercado de honras. Sua memória foi preservada através da publicação contínua de suas obras e do reconhecimento de seu papel fundamental na história da literatura francesa. Ele é lembrado como um dos pilares da poesia clássica em língua francesa.