Ricardo Madeira

Ricardo Madeira

Ricardo Madeira é um poeta contemporâneo português cuja obra se caracteriza pela exploração da condição humana, da memória e da efemeridade do tempo. Sua poesia transita entre o lirismo e a reflexão existencial, com uma linguagem que busca a precisão e a evocação, abordando temas universais com uma sensibilidade particular.

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Azathoth

Um turbilhão de imagens
Arasta consigo a consciência,
Perdido em estranhas viagens
Ao sabor da demência.

Ao som de flautas partidas
A sanidade desfaz-se em pó,
Rodeada por estrelas caídas,
A ordem do caos reina só.

Amorfo, cego, Deus e idiota,
No centro de toda a entropia,
O Criador da matéria morta,
O único inimigo da harmonia.

Nos seus vómitos profundos,
Envoltos em nevoeiro escuro,
Universos, estrelas e mundos
Giram em volta do Mal puro...
Tão puro que atrai e arrasta a luz,
Tão negro que a sufoca completamente,
Onde nem mesmo a morte pode viver,
Um pesadelo sonhando permanentemente.

"That last amorphous blight of nethermost confusion which
blasphemes and bubbles at the centre of all infinity -- the
boundless daemon sultan Azathoth, whose name no lips dare
speak aloud, and who gnaws hungrily in inconceivable, unlighted
chambers beyond time amidst the muffled, maddening beating of
vile drums and the thin monotonous whine of accursed flutes."
- H.P. Lovecraft

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Biografia

Identificação e contexto básico

Ricardo Madeira é um poeta português contemporâneo. Pouca informação biográfica detalhada sobre sua vida pessoal e contexto familiar está publicamente disponível, mas sua obra poética o estabeleceu como uma voz relevante na poesia portuguesa atual.

Infância e formação

Informações sobre sua infância e formação específica não são amplamente divulgadas. Assume-se que sua formação literária tenha sido adquirida através de leituras e de um profundo interesse pela poesia, o que se reflete na maturidade e na qualidade de seus versos.

Percurso literário

O percurso literário de Ricardo Madeira tem se consolidado através da publicação de seus livros de poesia, que têm recebido atenção da crítica e do público leitor. Sua escrita demonstra uma evolução na exploração de temas e no aprimoramento de seu estilo poético.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Ricardo Madeira dedica-se a temas como a efemeridade da vida, a força da memória, a passagem do tempo, a busca por sentido e a condição humana. Sua poesia é frequentemente marcada por um tom introspectivo e reflexivo, com uma linguagem que procura a concisão e a capacidade de evocar sensações e pensamentos profundos. Utiliza recursos poéticos que conferem musicalidade e profundidade aos seus versos, explorando a subjetividade e a universalidade de suas observações. Sua relação com a tradição poética se manifesta na qualidade lírica, ao mesmo tempo em que apresenta uma perspectiva contemporânea sobre os temas abordados.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Ricardo Madeira insere-se no panorama da poesia contemporânea portuguesa, um período marcado pela diversidade de estilos e temáticas. Sua obra dialogue com as preocupações existenciais e sociais do mundo atual, refletindo sobre a condição humana em um contexto de rápidas transformações.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes específicos sobre sua vida pessoal, como relações familiares ou experiências marcantes, não são de conhecimento público, mas a intimidade e a profundidade de sua poesia sugerem uma sensibilidade apurada e uma profunda observação da vida.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A poesia de Ricardo Madeira tem sido recebida com interesse e apreço pela crítica literária e pelos leitores, que reconhecem a qualidade de sua escrita e a relevância de seus temas. Sua obra tem ganhado espaço no cenário poético português contemporâneo.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora influências específicas não sejam explicitamente declaradas, a qualidade de sua poesia sugere um diálogo com a tradição literária e com autores que exploram a profundidade da experiência humana. Seu legado reside na contribuição para a poesia contemporânea com uma voz autêntica e reflexiva.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Ricardo Madeira convida à reflexão sobre a existência, a finitude e a importância das memórias. Suas análises críticas costumam destacar a capacidade do poeta de traduzir sentimentos e pensamentos complexos em versos límpidos e potentes.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos O foco principal de informação sobre Ricardo Madeira reside em sua obra literária, o que sugere uma personalidade talvez mais reservada quanto aos aspectos públicos de sua vida.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Por ser um autor contemporâneo, não há registro de morte. Sua obra continua a ser produzida e a ser parte da memória literária em construção.

Poemas

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Azathoth

Um turbilhão de imagens
Arasta consigo a consciência,
Perdido em estranhas viagens
Ao sabor da demência.

Ao som de flautas partidas
A sanidade desfaz-se em pó,
Rodeada por estrelas caídas,
A ordem do caos reina só.

Amorfo, cego, Deus e idiota,
No centro de toda a entropia,
O Criador da matéria morta,
O único inimigo da harmonia.

Nos seus vómitos profundos,
Envoltos em nevoeiro escuro,
Universos, estrelas e mundos
Giram em volta do Mal puro...
Tão puro que atrai e arrasta a luz,
Tão negro que a sufoca completamente,
Onde nem mesmo a morte pode viver,
Um pesadelo sonhando permanentemente.

"That last amorphous blight of nethermost confusion which
blasphemes and bubbles at the centre of all infinity -- the
boundless daemon sultan Azathoth, whose name no lips dare
speak aloud, and who gnaws hungrily in inconceivable, unlighted
chambers beyond time amidst the muffled, maddening beating of
vile drums and the thin monotonous whine of accursed flutes."
- H.P. Lovecraft

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O Mosteiro Abandonado

Murmúrios no vento...
Na mais alta montanha: mosteiro abandonado,
Perdido no tempo...

Neve (algodão?)
Cobre bela a paisagem (apenas imagem?)
Sob sol de Verão...

E ela chora, naquela janela aberta,
Aguardando, etérea, a altura certa:
Um só instante,
Tão distante...

Mas, um dia, o dia chegará,
Hora a hora, por essa hora esperará...

Um dia...
Talvez um dia...
E o vento trará nos braços alegria...

943

Sonhos de Pó

The truth in me,
Too dark to see,
So bitter the taste,
Now the poison runs free.
-Mathias Lodmalm

Luz pálida,
A bela fragrância de uma lua calma,
Mas inútil,
É a escuridão que lhe abraça a alma.

As suas lágrimas,
Flores que o vento insiste em ceifar,
Imemoriais os tempos
Em que as estrelas lhe podiam falar.

Não se move,
Continua a querer o que não pode ter,
A chuva cai,
Deseja aquilo que não pode acontecer.

Os seus gritos
Embalam horrendos os seus ouvidos,
Sonhos de pó,
E o vazio que lhe perfaz os sentidos.

O relâmpago,
Um coração em brasa perde o brilho,
Depois trovão,
A noite que chama alto pelo seu filho.

Eco que persiste,
O bolso revela a lâmina sem hesitar,
E em vão resiste,
Dor esmaga o medo de se entregar.

Suave o corte,
Tal como as carícias de quem amou,
Chora na morte,
As lágrimas que também ela chorou
Quando a matou...

839

O Metropolitano

Num rosto
Nasceu e faleceu
Um sorriso
Que riu e ruiu.

Um Sol
Caído e ferido,
Astro-rei
Queimado, gelado.

Mas é assim que acaba tudo,
Sem saber aquilo que poderias ter alcançado,
O teu olhar tornou-se mudo,
Desconhecido um paraíso que jaz inexplorado.

Olhos sem brilho,
De luz despidos,
Nem caminho nem trilho,
Hotéis escuros...
Impuros...

Horror em tudo o que vês...
Olhos e caras,
Foges e páras,
Sombras e luzes,
Pregos e cruzes...

O som do martelo,
Tão suave, tão belo,
Apenas mais uma crucificação,
Apenas outra só razão
Para esquecer...
Para adormecer...

O túnel, o clarão,
Pensamentos, sentimentos a brotar,
O chiar e o trovão,
Tão poucos momentos, tanto para dar...

Em sangue um sol... não se tornará a erguer, infeliz...
Pedaços de algo outrora eterno são cadáver nos carris.

847

Sempre

Falta de ar,
Perda de visão:
Sintomas da morte,
Arautos da Escuridão.

Sinos que tocam,
Prisioneiro de um caixão,
Mas... Então?!...
Porque ainda bate o meu coração?

And it kept pulsing beneath the Earth,
A crimson jewel underneath six feet of dirt,
Forever waiting an impossible rebirth...

932

Fogo Imundo

Não dou sangue,
Mas roubo e tiro,
Sou vampiro.

Verdade crua!
Sou a Lua,
Brilho com a luz
Que não é minha.

Venho e vou,
A maré sou,
Afogo, inundo...
Teu mundo...

990

Memórias Perdidas de Tempos Esquecidos

Tudo o que tenho para te recordar
Está a meu lado: o teu vazio lugar
Que ninguém parece poder ocupar.

Que alternativa existe, para além de morrer,
Quando a única razão que temos para viver
É exactamente aquela que tentamos esquecer?

E o mais belo sonho que podemos sonhar
(O teu sorriso... Os teus olhos a brilhar...)
É aquele que temos de matar e enterrar...

As memórias perdidas de tempos esquecidos
Saem das sombras, voltam para me assombrar,
São os ecos das palavras que não te pude dizer,
Todos os sonhos que geram pesadelos ao acordar.

Um corredor sem sentido, nenhuma porta se abre,
Uma vida sem destino, a fechadura recusa a chave.

"Vem muerte tan escondida,
Que no te sienta venir,
Porque el plazer del morrir
No me torne á dar la vida."
-Miguel De Cervantes

1 048

Para Mais Tarde Recordar

Falas com luz
Que acende, reluz,
E que o Sol inveja;
Olhas com pérolas
Que o Mar deseja...

Sou como sou,
Nada posso fazer,
Nada a não ser
Se calhar talvez
Dizer outra vez
Como amo e te amo.

Tal como eu,
Eu sou eu
(Assim como eu),
Somos iguais,
Todos diferentes
E todos iguais.

Perguntei,
Disseste que sim,
Eu concordei,
Num sonho sem fim
Até terminar...

Inferno ao céu!
Fogo ao mar!
Raios de prata,
Rasguem o ar!

Grito com o vento,
Agarro o momento,
Guardo-o cá dentro,
Para mais tarde recordar...

"Night Music,
It keeps spinning inside my head,
Night Music,
Its all the things you never said..."
— Dio

965

Em Vales Encantados

O rio parou
E perguntou
À bela princesa (que na margem
Olhava o reflexo da sua imagem)
O porquê das suas lágrimas.

Depois continuou
E dias depois voltou
Carregando na sua corrente
Mensagem de teor urgente
Enviada pelo príncipe.

Milhares de flores,
Mil dores e amores,
Orquídeas, papoilas e rosas
Que flutuavam vagorosas
Desde destino longínquo.

E uma sublime doce canção
Atravessou os vales encantados
Serpenteando entre o silêncio
Daqueles bosques perfumados.

945

As Vozes da Noite

O Sol não nasce para os que amam,
A Lua, negra, não os pode consolar,
Uma a uma, apagam-se as estrelas,
Até não ficar nada para os iluminar.

Enterrados, numa sepultura sem nome,
Para sempre aprisionados no seu caixão,
Sentindo na língua o sabor dos vermes,
Os sonhos agora pregos no seu coração.

Espectros, vagueiam ainda sem destino,
Para sempre movidos pela perpétua dor,
Tentando libertar-se do que já perderam,
Sabendo que não há vida depois do amor.

"Morte..."
Desejo morto, a causa do seu sinistro pranto,
Direito negado aos seres do mais puro branco.

"Morte..."
Acariciando o silêncio, por um breve momento,
Um suspiro arrancado à pálida noite pelo vento.

942

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Comentários (1)

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Tayná
Tayná

Fantástico poema.