Lista de Poemas

Noite: sonho de esparsas

Noite: sonho de esparsas
janelas iluminadas.
Ouvir a clara voz
do mar. De um livro amado
ver as palavras
sumirem ... – Oh estrelas fugidias
o amor da vida!
:
Notte : sogno di sparse
finestre illuminate.
Sentir la chiara voce
dal mare. Da un amato
libro veder parole
sparire... – Oh stelle in corsa
l'amore della vita !
dePoesie (1939)
697

Se passa uma beleza que se apressa

Se passa uma beleza que se apressa
não te ensombra a alma não tê-la estreitado.
Voltas o rosto para o verde ocaso.
Numa bicicleta passou a Beleza.

:


Se passa una bellezza che va in fretta
non hai l'anima nera, per non averla stretta.
Tu guardi al cielo verde nella prima
sera. Passata è la Bellezza in bicicletta.



de Croce e delizia (1958)



842

Amor, amor

Amor, amor
dileto dissabor.


:


Amore, amore,
lieto disonore.



de Croce e delizia (1958)

1 068

Como é forte o ruído da aurora

Como é forte o ruído da aurora!
Feito de coisas mais que de pessoas.
Precede-o às vezes um sibilo breve,
uma voz que alegre desafia o dia.
Mas logo na cidade tudo é imerso
e a minha estrela é aquela estrela pálida
minha lenta morte sem desesperança.


:


Come è forte il rumore dell’alba!
Fatto di cose più che di persone.
Lo precede talvolta in fischio breve,
una voce che lieta sfida il giorno.
Ma poi nella città tutto è sommerso.
e la mia stella è questa stella scialba
mia lenta morte senza disperazione.



de Come è forte il rumore


734

Pega uma garota

“Pega uma garota, e vai devagarinho,
tenta umas beijocas. E em vez de ...” tranqüilo
por detrás do bilhar, parando o jogo,
alguém, com um jeito terno, ainda falava
com um ar paternal, e atenta graça.
E o outro o ouvia, arregalado os olhos
tensos, culpados. A horrível desgraça!


:


"Prenditi una ragazza, e piano piano
vai com qualque bacetto. E invesse...” calmo
oltre il verde bigliardo e il fermo giuoco,
così tenero ancora, uno parlava
paternamente, com attenta grazia.
E l’altro l’ascoltava, egli nei gonfi
occhi colpevoli. L’orribile disgrazia!



de Croce e delizia (1958)


808

O mar é todo azul

O mar é todo azul.
O mar é todo calmo.
Em mim há quase um urro
de gozo. E tudo é calmo.


:


Il mare è tutto azzurro.
Il mare è tutto calmo.
Nel cuore è quasi un urlo
di gioia. E tutto è calmo



de Poesie (1939)



1 067

Juventude, amor, belas palavras,

Juventude, amor, belas palavras,
que coisa brilha em vós e vos resseca?
Resta apenas um odor de merda seca
ao longo do caminho ensolarado.

:


Amore, gioventù, liete parole,
cosa splende su voi e vi dissecca?
Resta un odore come merda secca
lungo le siepe cariche di sole.



de Croce e delizia (1958)


960

Como é belo seguir-te

Como é belo seguir-te
ó jovem que ondeias
tranqüilo pelas ruas noturnas.
Se paras numa esquina, longe
eu pararei, longe
de tua paz, -- ó ardente
solidão a minha.


:


Come è bello seguirti
o giovine che ondeggi
calmo nella città notturna.
Si ti fermi in un angolo, lontano
io resterò, lontano
dalla tua pace, -- o ardente
solitudine mia



de Una strana gioia di vivere (1956)


791

Alfio que um trem transporta para longe.

Alfio que um trem transporta para longe.
Aonde carregas teus olhos dolorosos
e ao mesmo tempo alegres? Nasce o dia
e já parece a noite tão distante
que há tão pouco transcorreu conosco.
A noite em que não me quiseste dar
a única coisa que eu te merecia e que
por não me dares corpo e mente me incendeia
a tal ponto que aurora, noite e dia
se confundem
na única coisa que vejo que é teu lume.

:

Alfio che un treno porta assai lontano.
Dove porti i tuoi occhi dolorosi
e tanto lieti insieme? Adesso è l'alba
e già tanto lontana pare la sera
che da poco è trascorsa con noi. La sera
in cui non hai voluto darmi
quello che solo meritavo, quello
che non dato m'incendia cuore e mente
a tal punto che l'alba o la sera od il giorno
fanno una confusione
in cui vedo soltanto il tuo lume.


de Stranezze (1976)


847

Existe ainda no mundo a beleza?

Existe ainda no mundo a beleza?
Não estou falando de feições divinas.
Mas do ébrio jovem que esperando o trem
com os olhos no infinito devaneia


:

Esiste ancora al mondo la bellezza?
Oh non intendo i lineamenti fini.
Ma alla stazione carico di ebbrezza
il giovane con gli occhi ai suoi lontani lidi.



de Il viaggiatore insonne (1977)


963

Comentários (0)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.

NoComments

Identificação e contexto básico

Sandro Penna foi um poeta italiano. Nasceu em 12 de junho de 1906, em Perugia, Itália, e faleceu em 22 de janeiro de 1977, em Roma, Itália. Era filho de Francesco Penna, um comerciante de peles, e de Anna Baldi.

Infância e formação

Penna teve uma infância relativamente tranquila na sua cidade natal, Perugia. Sua formação escolar não foi particularmente notável, e ele não seguiu uma carreira universitária formal. A sua educação foi em grande parte autodidata, alimentada por uma paixão precoce pela literatura e pela leitura. Desde cedo, ele se sentiu atraído pela poesia e pela beleza, desenvolvendo um olhar atento para os detalhes da vida quotidiana e para as emoções humanas.

Percurso literário

Sandro Penna começou a escrever poesia ainda jovem, mas sua primeira coleção de poemas, "Canti di un'amore", só foi publicada em 1934, com o apoio de um amigo. Seguiram-se outras obras importantes como "Poesie" (1939), "Il mare è quello che è" (1958), "Strana gente" (1959), "Questo viaggio vegetariano" (1977) e "Altre cose" (1979). Penna nunca buscou a fama ou a notoriedade, preferindo uma vida discreta e dedicada à poesia. Apesar de sua produção não ser extensa, cada obra era cuidadosamente elaborada, refletindo uma maturidade poética crescente. Ele colaborou ocasionalmente com revistas literárias, mas manteve uma distância dos círculos literários mais proeminentes.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras principais de Sandro Penna incluem "Canti di un'amore", "Poesie", "Il mare è quello che è" e "Strana gente". Seus temas centrais são a juventude, a beleza dos corpos masculinos, o amor não correspondido ou idealizado, a melancolia, a solidão e uma contemplação serena da existência. A poesia de Penna é caracterizada por uma linguagem límpida, musical e precisa, muitas vezes utilizando formas clássicas como o soneto, mas com uma sensibilidade moderna. Seu estilo é elegante, despojado e de uma aparente simplicidade que esconde uma profunda carga emocional e filosófica. Penna tem um talento ímpar para capturar momentos fugazes de beleza e ternura, transformando o quotidiano em poesia. Sua voz poética é íntima, confessional e carregada de uma doçura melancólica. Ele é associado a uma poética da "descoberta", onde a cada verso o poeta revela uma nova faceta da realidade ou do sentimento.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Penna viveu a maior parte de sua vida em uma Itália que passou por grandes transformações, desde o fascismo até a reconstrução pós-guerra e a sociedade de consumo. Embora sua obra não seja explicitamente política, ela reflete uma sensibilidade que se distanciava dos discursos ideológicos dominantes, buscando um espaço de autenticidade e beleza em um mundo muitas vezes hostil. Ele manteve uma relação de admiração com outros poetas, mas sempre preservou sua individualidade e sua abordagem pessoal à poesia.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Sandro Penna viveu uma vida relativamente reclusa e discreta. Ele nunca se casou e seus relacionamentos afetivos, especialmente a admiração pela beleza masculina, foram uma fonte de inspiração para sua poesia. Trabalhou por muitos anos em um emprego burocrático no Ministério da Educação, o que lhe garantiu estabilidade financeira para se dedicar à sua paixão literária. Sua vida era marcada por uma profunda introspecção e uma busca constante pela beleza nas pequenas coisas.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Embora não tenha alcançado a fama de outros poetas italianos contemporâneos, Sandro Penna é hoje amplamente reconhecido como um dos mais importantes poetas líricos italianos do século XX. Sua obra recebeu o apreço da crítica e de um público seleto, que valoriza a pureza e a profundidade de seus versos. Ele conquistou importantes prêmios literários, como o Prêmio Viareggio em 1977.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Penna foi influenciado por poetas clássicos e por autores da tradição lírica italiana, mas desenvolveu uma voz poética única. Seu legado reside na sua capacidade de criar uma poesia atemporal, que fala diretamente ao coração do leitor. Sua dedicação à forma e à beleza, aliada à profundidade de seus sentimentos, o tornou um modelo para muitos poetas que valorizam a autenticidade e a arte pela arte.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Penna é frequentemente analisada sob a ótica da sua delicadeza lírica e da sua capacidade de evocar o efêmero. Críticos destacam a maneira como ele consegue transformar sentimentos universais, como o amor e a perda, em imagens de grande plasticidade e ressonância emocional. Sua aparente simplicidade formal é vista como um meio para atingir uma profundidade rara, sem artifícios ou excessos.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Penna era conhecido por sua timidez e por sua aversão a qualquer tipo de exibicionismo. Ele gostava de observar as pessoas e os cenários da vida urbana, transformando suas impressões em versos. Seus manuscritos e cadernos revelam um trabalho minucioso de revisão e um cuidado extremo com a escolha das palavras. A admiração pela beleza física, especialmente a masculina, era um tema central em sua vida e obra, mas sempre tratado com uma elegância e uma discrição notáveis.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Sandro Penna faleceu em Roma, aos 70 anos. Sua morte foi sentida no meio literário italiano, que reconhecia o valor de sua obra. Seus poemas continuam a ser publicados, traduzidos e estudados, assegurando sua memória como um dos grandes mestres da lírica italiana moderna.