Lista de Poemas

Caramuru

Canto II

XVII
Não era assim nas aves fugitivas,
Que umas frechava no ar, e outras em laços
Com arte o caçador tomava vivas;
Uma, porém, nos líquidos espaços
Faz com a pluma as setas pouco ativas,
Deixando a lisa pena os golpes lassos.
Toma-a de mira Diogo e o ponto aguarda:
Dá-lhe um tiro e derruba-a com a espingarda.

Estando a turba longe de cuidá-lo,
Fica o bárbaro ao golpe estremecido
E cai por terra no tremendo abalo
Da chama do fracasso e do estampido;
Qual do hórrido trovão com raio e estalo
Algum junto a quem cai fica aturdido,
Tal Gupeva ficou, crendo formada
No arcabuz de Diogo uma trovoada.

Toda em terra prostrada, exclama e grita
A turba rude em mísero desmaio,
E faz o horror que estúpida repita
Tupã, Caramuru, temendo um raio.
Pretendem ter por Deus, quando o permita
O que estão vendo em pavoroso ensaio,
Entre horríveis trovões do márcio jogo,
Vomitar chamas e abrasar com fogo.

Desde esse dia, é fama que por nome
Do grão Caramuru foi celebrado
O forte Diogo; e que escutado dome
Este apelido o bárbaro espantado.
Indicava o Brasil no sobrenome,
Que era um dragão dos mares vomitado;
Nem de outra arte entre nós antiga idade
Tem Joce, Apolo e Marte por deidade.

12 259

O Afogamento de Moema

do sexto canto do Caramuru

XXXVI
É fama então que a multidão formosa
as damas, que Diogo pretendiam,
Vendo avançar-se a nau na via undosa,
E que a esperança de o alcançar perdiam,
Entre as ondas com ânsia furiosa,
Nadando o esposo pelo mar seguiam,
E nem tanta água que flutua vaga
ardor que o peito tem, banhando apaga.

XXXVII
Copiosa multidão da nau francesa
Corre a ver o espetáculo assombrada;
E, ignorando a ocasião de estranha empresa,
Pasma da turba feminil que nada.
Uma, que às mais precede em gentileza,
Não vinha menos bela do que irada:
Era Moema, que de inveja geme,
E já vizinha à nau se apega ao leme.

XXXVIII
"Bárbaro (a bela diz), tigre e não homem...
Porém o tigre, por cruel que brame,
Acha forças amor que enfim o domem;
Só a ti não domou, Por mais que eu te ame.
Fúrias, raios, coriscos, que o ar consomem,
Como não consumis aquele infame?
Mas pagar tanto amor com tédio e asco...
Ah! que corisco és tu... raio... penhasco!

XXXIX
Bem puderes, cruel, ter sido esquivo,
Quando eu a fé rendia ao teu engano;
Nem me ofenderas a escutar-me altivo,
Que é favor, dado a tempo, um desengano;
Porém, deixando o coração cativo
Com fazer-te a meus rogos sempre humano,
Fugiste-me, traidor, e desta sorte
Paga meu fino amor tão crua morte?

XL
Tão dura ingratidão menos sentira,
E esse fado cruel doce me fora,
Se a meu despeito triunfar não vira
Essa indigna, essa infame, essa traidora!
Por serva, por escrava, te seguira,
Se não temera de chamar senhora
A vil Paraguassu, que, sem que o creia,
Sobre ser-me inferior é néscia e feia.

XLI
Enfim, tens coração de ver-me aflita,
Flutuar moribunda entre estas ondas;
Nem o passado amor teu peito incita
A um ai somente com que aos meus respondas!
Bárbaro, se esta fé teu peito irrita,
(Disse, vendo-o fugir), ah! não te escondas
Dispara sobre mim teu cruel raio...
E indo a dizer o mais, cai num desmaio.

XLIII
Perde o lume dos olhos, pasma e trema,
Pálida a cor, o aspecto moribundo,
Com mão já sem vigor, soltando o leme,
Entre as salsas escumas desce ao fundo.
Mas na onda do mar, que irado freme,
Tornando a aparecer desde o profundo:
"Ah! Diogo cruel!" disse com mágoa,
E, sem mais vista ser, sorveu-se n’água.

XLIII
Choraram da Bahia as ninfas belas
Que, nadando, a Moema acompanhavam;
E, vendo que sem dor navegam delas,
branca praia com furor tornavam.
Nem pode o claro herói sem pena vê-las,
Com tantas provas que de amor lhe davam;
Nem mais lhe lembra o nome de Moema,
Sem que ou amante a chore, ou grato gema.

7 949

Canto VII [Entre outros bichos de que o bosque abunda

LVII

Entre outros bichos de que o bosque abunda,
Vê-se o espelho da gente, que é remissa,
No animal torpe de figura imunda,
A que o nome pusemos da preguiça:
Mostra no aspecto a lentidão profunda,
E, quando mais se bate e mais se atiça,
Conserva o tardo impulso por tal modo,
Que em poucos passos mete um dia todo.


In: DURÃO, Santa Rita. Caramuru: poema épico do descobrimento da Bahia, composto por Fr. José de Santa Rita Durão, da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, natural da Cata Preta nas Minas Gerais. São Paulo: Cultura, 1945. p.175. (Série brasileiro-portuguesa, 30)

NOTA: O "Canto VII" é composto de 74 estrofe
4 927

Canto VII [Vão pelo ar loquazes papagaios

LXIV

Vão pelo ar loquazes papagaios,
Como nuvens voando em cópia ingente,
Iguais na formosura aos verdes Maios,
Proferindo palavras como a gente.
Os periquitos com iguais ensaios.
O canindé, qual Íris reluzente;
Mas falam menos, da pronúncia avaras,
Gritando, as formosíssimas araras.


In: DURÃO, Santa Rita. Caramuru: poema épico do descobrimento da Bahia, composto por Fr. José de Santa Rita Durão, da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, natural da Cata Preta nas Minas Gerais. São Paulo: Cultura, 1945. p.177. (Série brasileiro-portuguesa, 30)

NOTA: O "Canto VII" é composto de 74 estrofe
3 298

Canto VII [Vêem-se cobras terríveis, monstruosas

LVI

Vêem-se cobras terríveis, monstruosas,
Que afugentam coa vista a gente fraca;
As jibóias, que cingem volumosas
Na cauda um touro, quando o dente o ataca;
Voa entre outras com forças horrorosas,
Batendo a aguda cauda a jararaca,
Com veneno, a quem fere tão presente,
Que logo em convulsão morrer se sente.


In: DURÃO, Santa Rita. Caramuru: poema épico do descobrimento da Bahia, composto por Fr. José de Santa Rita Durão, da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, natural da Cata Preta nas Minas Gerais. São Paulo: Cultura, 1945. p.175. (Série brasileiro-portuguesa, 30)

NOTA: O "Canto VII" é composto de 74 estrofe
3 263

Canto II [Acaso soube que a Gupeva viera

LXXVII

(...)
Acaso soube que a Gupeva viera
Certa dama gentil brasiliana;
Que em Taparica um dia comprendera
Boa parte da língua lusitana;
Que português escravo ali tratara,
De quem a língua, pelo ouvir, tomara.

LXXVIII

Paraguaçu gentil (tal nome teve)
Bem diversa de gente tão nojosa,
De cor tão alva como a branca neve,
E donde não é neve, era de rosa;
O nariz natural, boca mui breve,
Olhos de bela luz, testa espaçosa;
De algodão tudo o mais, com manto espesso,
Quanto honesta encobriu, fez ver-lhe o preço.

(...)

LXXXI

Deseja vê-lo o forte lusitano,
Por que interprete a língua que entendia;
E toma por mercê do céu sob'rano
Ter como entenda o idioma da Bahia.
Mas, quando esse prodígio avista humano,
Contempla no semblante a louçania:
Pára um, vendo o outro, mudo e quedo,
Qual junto de um penedo outro penedo.

LXXXII

Só tu, tutelar anjo, que o acompanhas,
Sabes quanto a virtude ali se arrisca,
E as fúrias da paixão, que acende estranhas
Essa de insano amor doce faísca;
Ânsias no coração sentiu tamanhas
(Ânsias que nem na morte o tempo risca),
Que houvera de perder-se naquela hora,
Se não fora cristão, se herói não fora.


In: DURÃO, Santa Rita. Caramuru: poema épico do descobrimento da Bahia, composto por Fr. José de Santa Rita Durão, da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, natural da Cata Preta nas Minas Gerais. São Paulo: Cultura, 1945. p.64-65. (Série brasileiro-portuguesa, 30)

NOTA: O "Canto II" é composto de 91 estrofe
3 146

Canto VII [Distingue-se entre as mais na forma e gosto

XLV

Distingue-se entre as mais na forma e gosto,
Pendente de alto ramo o coco duro,
Que em grande casca no exterior composto,
Enche o vaso int'rior de um licor puro;
Licor que, à competência sendo posto,
Do antigo néctar fora o nome escuro;
Dentro tem carne branca como a amêndoa,
Que a alguns enfermos foi vital, comendo-a.


In: DURÃO, Santa Rita. Caramuru: poema épico do descobrimento da Bahia, composto por Fr. José de Santa Rita Durão, da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, natural da Cata Preta nas Minas Gerais. São Paulo: Cultura, 1945. p.172. (Série brasileiro-portuguesa, 30)

NOTA: O "Canto VII" é composto de 74 estrofe
2 006

Canto VII [O mais rico e importante vegetável

XXVI

O mais rico e importante vegetável
É a doce cana, donde o açúcar brota,
Em pouco às nossas canas comparável;
Mas nas do milho proporção se nota:
Com manobra expedita e praticável,
Espremido em moenda, o suco bota,
Que acaso a antiguidade imaginava,
Quando o néctar e ambrósia celebrava.


In: DURÃO, Santa Rita. Caramuru: poema épico do descobrimento da Bahia, composto por Fr. José de Santa Rita Durão, da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, natural da Cata Preta nas Minas Gerais. São Paulo: Cultura, 1945. p.167. (Série brasileiro-portuguesa, 30)

NOTA: O "Canto VII" é composto de 74 estrofe
2 659

Canto VI [É fama então que a multidão formosa

XXXVI

É fama então que a multidão formosa
Das damas, que Diogo pretendiam,
Vendo avançar-se a nau na via undosa,
E que a esperança de o alcançar perdiam,
Entre as ondas com ânsia furiosa,
Nadando, o esposo pelo mar seguiam,
E nem tanta água que flutua vaga
O ardor que o peito tem, banhando apaga.

XXXVII

Copiosa multidão da nau francesa
Corre a ver o espetáculo assombrada;
E, ignorando a ocasião de estranha empresa,
Pasma da turba feminil que nada.
Uma, que as mais precede em gentileza,
Não vinha menos bela do que irada:
Era Moema, que de inveja geme,
E já vizinha à nau se apega ao leme.

XXXVIII

"Bárbaro (a bela diz), tigre e não homem...
Porém o tigre, por cruel que brame,
Acha forças amor que enfim o domem;
Só a ti não domou, por mais que eu te ame.
Fúrias, raios, coriscos, que o ar consomem,
Como não consumis aquele infame?
Mas apagar tanto amor com tédio e asco...
Ah que o corisco és tu... raio... penhasco?

(...)

XLII

Perde o lume dos olhos, pasma e treme,
Pálida a cor, o aspecto moribundo,
Com mão já sem vigor, soltando o leme,
Entre as salsas escumas desce ao fundo.
Mas na onda do mar, que irado freme,
Tornando a aparecer desde o profundo:
"Ah Diogo cruel!" disse com mágoa,
E, sem mais vista ser, sorveu-se nágua.


In: DURÃO, Santa Rita. Caramuru: poema épico do descobrimento da Bahia, composto por Fr. José de Santa Rita Durão, da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, natural da Cata Preta nas Minas Gerais. São Paulo: Cultura, 1945. p.148-149. (Série brasileiro-portuguesa, 30)

NOTA: O "Canto VI" é composto de 79 estrofe
3 325

Canto II [Não era assim nas aves fugitivas

XLIII

Não era assim nas aves fugitivas,
Que umas frechava no ar, e outras em laços
Com arte o caçador tomava vivas;
Uma, porém, nos líquidos espaços
Faz com a pluma as setas pouco ativas,
Deixando a lisa pena os golpes laços,
Toma-a de mira Diogo e o ponto aguarda:
Dá-lhe um tiro e derriba-a coa espingarda.

XLIV

Estando a turba longe de cuidá-lo,
Fica o bárbaro ao golpe estremecido
E cai por terra no tremendo abalo
Da chama do fracasso e do estampido;
Qual do hórrido trovão com raio e estalo
Algum junto aquém cai, fica aturdido,
Tal Gupeva ficou, crendo formada
No arcabuz de Diogo uma trovoada.

(...)

XLVI

Desde esse dia, é fama que por nome
Do grão Caramuru foi celebrado
O forte Diogo; e que escutado dome
Este apelido o bárbaro espantado.
Indicava o Brasil no sobrenome,
Que era um dragão dos mares vomitado;
Nem doutra arte entre nós a antiga idade
Tem Jove, Apolo e Marte por deidade.

XLVII

Foram qual hoje o rude americano
O valente romano, o sábio argivo;
Nem foi de Salmoneu mais torpe o engano,
Do que outro rei fizera em Creta altivo,
Nós que zombamos deste povo insano,
Se bem cavarmos no solar nativo,
Dos antigos heróis dentro às imagens
Não acharemos mais que outros selvagens.


In: DURÃO, Santa Rita. Caramuru: poema épico do descobrimento da Bahia, composto por Fr. José de Santa Rita Durão, da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, natural da Cata Preta nas Minas Gerais. São Paulo: Cultura, 1945. p.55-56. (Série brasileiro-portuguesa, 30)

NOTA: O "Canto II" é composto de 91 estrofe
2 891

Comentários (6)

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desculpas x2
desculpas x2

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desculpas
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Feíssimo
Feíssimo

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Lindíssmo
Lindíssmo

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adailson
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muito legal

Identificação e contexto básico

Frei Santa Rita Durão, cujo nome de batismo era José Basílio da Gama, nasceu em São José do Pará, na então Capitania de Minas Gerais (atual Brasil), em 8 de abril de 1740. Faleceu em Lisboa, Portugal, em 21 de junho de 1784. Ele é considerado um dos expoentes máximos do Arcadismo (ou Neoclassicismo) na literatura brasileira. Era um frade da Ordem de São Francisco e professor.

Infância e formação

José Basílio da Gama nasceu em uma família de posses, embora sua infância tenha sido marcada por algumas adversidades. Após a morte de sua mãe, foi criado por um tio, que lhe proporcionou uma educação formal. Ele ingressou na Ordem Franciscana em 1756, aos 16 anos, no convento de Santo Antônio, no Rio de Janeiro. Sua formação foi sólida, tanto em teologia quanto em letras clássicas, e ele se destacou como professor de retórica e filosofia em diversos colégios da ordem, tanto no Brasil quanto em Portugal.

Percurso literário

O percurso literário de Santa Rita Durão se confunde com sua vida religiosa e acadêmica. Ele publicou seu primeiro trabalho conhecido, uma ode em louvor ao Marquês de Pombal, em 1760. No entanto, sua obra mais importante e que lhe garantiu renome foi o poema épico "Caramuru", publicado em Lisboa em 1781, com uma segunda edição em 1784. "Caramuru" foi escrito para exaltar a figura do português Diogo Álvares Correia e celebrar a fundação da cidade de Ilhéus, na Bahia, com elementos indianistas e uma forte presença da natureza brasileira.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra principal de Santa Rita Durão é o poema "Caramuru", escrito em oitava rima e dividido em dez cantos. O poema narra as aventuras de Diogo Álvares Correia (Caramuru) e sua relação com a índia Moema e a princesa Potira, em um cenário que exalta a beleza e a riqueza da terra brasileira. Os temas abordados incluem a heroização do colonizador, o amor, a lealdade, a força da natureza e a integração do indígena à civilização europeia, embora de forma idealizada. O estilo de Durão em "Caramuru" reflete as características do Arcadismo, com o uso de linguagem culta, referências à mitologia clássica, e a busca pela harmonia e pelo equilíbrio. No entanto, o poema também se distingue por um forte lirismo e por uma exaltação da paisagem brasileira, que antecipa o indianismo e o nacionalismo de movimentos posteriores. Sua linguagem, embora clássica, possui uma vivacidade que a distingue dos modelos europeus.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Santa Rita Durão viveu no período do Iluminismo e do Arcadismo. Sua obra "Caramuru" foi escrita em um contexto de expansão territorial e de consolidação do poder português no Brasil. A publicação do poema em Lisboa, em 1781, foi um ato de afirmação da identidade brasileira em um período em que a colônia buscava sua voz literária. Ele pertenceu a um círculo de intelectuais que buscavam conciliar os ideais iluministas com a realidade colonial, e sua obra dialogou com as preocupações de outros autores árcades, como Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Como frade franciscano, a vida de Santa Rita Durão foi dedicada à religião e ao ensino. Sua formação intelectual e sua vocação religiosa moldaram sua visão de mundo. A produção literária, embora significativa, era complementar à sua atividade eclesiástica. Ele demonstrou um forte apreço pela terra natal, como evidenciado em "Caramuru", mas viveu grande parte de sua vida adulta em Portugal, onde desenvolveu sua carreira acadêmica e literária.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção "Caramuru" foi um sucesso em sua época, sendo amplamente lido e admirado. O poema foi um dos primeiros grandes épicos da literatura brasileira e um marco na representação do indígena e da natureza nacional. A obra consolidou Santa Rita Durão como um dos principais poetas do Arcadismo brasileiro, e sua importância cresceu ao longo do tempo, sendo estudada como um precursor do Romantismo e do indianismo.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Santa Rita Durão foi influenciado pela poesia clássica greco-latina e pelos poetas árcades italianos e portugueses. Seu legado reside na criação de um épico genuinamente brasileiro, que soube incorporar a realidade e a paisagem do país com uma linguagem poética elegante e inovadora para a época. "Caramuru" inspirou outros escritores e contribuiu para a formação de uma consciência literária nacional.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A análise crítica de "Caramuru" frequentemente destaca a dualidade entre a influência clássica e a originalidade brasileira. O poema é visto como uma tentativa de criar uma mitologia nacional, exaltando as origens da colonização através da figura do indígena idealizado. A crítica também aponta para a habilidade de Durão em descrever a natureza com vivacidade e para a força lírica de suas passagens.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Um aspeto interessante é o fato de "Caramuru" ter sido publicado em Lisboa e não no Brasil, refletindo as limitações da imprensa na colônia na época. A obra também gerou rivalidades literárias, especialmente com Cláudio Manuel da Costa, outro importante poeta árcade.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Frei Santa Rita Durão faleceu em Lisboa, aos 44 anos, em 1784. Sua morte prematura deixou uma lacuna na literatura brasileira. Sua obra, no entanto, continuou a ser lida e estudada, garantindo sua memória como um dos poetas fundamentais da formação da literatura nacional.