Sebastião da Gama

Sebastião da Gama

1924–1952 · viveu 27 anos PT PT

Sebastião da Gama foi um poeta, ensaísta e professor português, conhecido pela sua profunda ligação à natureza, especialmente à paisagem da Serra da Arrábida, e pela sua obra que celebra a vida, a beleza e a transcendência. A sua poesia, marcada por um lirismo singelo e uma linguagem acessível, mas carregada de significado, reflete uma espiritualidade imanente e uma profunda gratidão pela existência. Apesar de uma vida dedicada ao ensino e à criação literária, a sua obra, que se desenvolveu longe dos círculos literários mais proeminentes, conquistou um lugar de destaque na literatura portuguesa contemporânea pela sua autenticidade e pela sua capacidade de evocar o sagrado no quotidiano.

n. 1924-04-10, Azeitão (São Lourenço e São Simão) · m. 1952-02-07, Lisboa

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Pequeno poema

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava,
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

P'ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...
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Biografia

Identificação e contexto básico

Nome completo: Sebastião dos Reis da Gama. Pseudónimo: Não usou pseudónimos. Data e local de nascimento: Fernão Ferro, Sesimbra, 7 de março de 1924. Data e local de morte: Lisboa, 22 de fevereiro de 1957. Origem familiar, classe social e contexto cultural de origem: Nasceu numa família rural, com origens humildes. A sua ligação à terra e à natureza foi fundamental na formação da sua sensibilidade. Nacionalidade e língua(s) de escrita: Portuguesa. Escreveu em português. Contexto histórico em que viveu: Viveu durante o Estado Novo em Portugal, um período de ditadura e censura, embora a sua obra se tenha desenvolvido de forma mais pessoal e menos diretamente política.

Infância e formação

Origem familiar e ambiente social: Cresceu num ambiente rural, com forte ligação à terra, às tradições e à natureza. A família, embora modesta, valorizava a educação. Educação formal e autodidatismo: Frequentou o Seminário dos Padres da Companhia de Jesus em Campolide, onde concluiu o liceu e estudou filosofia. Foi um autodidata em diversas áreas, incluindo a literatura e a história natural. Influências iniciais (leituras, cultura, religião, política): As leituras espirituais e religiosas, a Bíblia, os clássicos da literatura portuguesa (Camões, Padre António Vieira), e um profundo amor pela natureza. Movimentos literários, filosóficos ou artísticos que absorveu: Embora não se filie diretamente a um movimento, a sua obra absorve a tradição lírica portuguesa, a espiritualidade cristã e uma sensibilidade que antecipa a valorização da natureza e do existencialismo. Eventos marcantes na juventude: A educação no seminário, a sua vocação inicialmente religiosa e a descoberta da sua paixão pela natureza e pela poesia.

Percurso literário

Início da escrita (quando e como começou): Começou a escrever poesia e ensaios desde jovem, motivado pela sua profunda contemplação da natureza e da espiritualidade. Evolução ao longo do tempo (fases, mudanças de estilo): A sua obra evoluiu de um lirismo inicial para uma maturidade expressa na celebração da vida e da paisagem. O seu estilo manteve-se caracterizado pela simplicidade e profundidade. Evolução cronológica da obra: Publicou "O Fio de Ariadne" (1952), "O Anjo e o Menino" (1954), "A Estrada" (1958, póstumo), "O Regresso" (1961, póstumo). Colaborações em revistas, jornais e antologias: Colaborou em diversas publicações, nomeadamente em jornais e revistas de cariz cultural e religioso. Atividade como crítico, tradutor ou editor: Foi professor de português no Liceu Nacional de Setúbal. Dedicou-se principalmente à poesia e ao ensaio.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias Obras principais com datas e contexto de produção: "O Fio de Ariadne" (1952), "O Anjo e o Menino" (1954), "A Estrada" (1958). Temas dominantes — amor, morte, tempo, natureza, identidade, espiritualidade, beleza, vida: Forma e estrutura — uso do soneto, verso livre, forma fixa, experimentação métrica: Utilizou formas poéticas variadas, incluindo o verso livre, mas sempre com uma musicalidade e um ritmo próprios, de grande apelo. Recursos poéticos (metáfora, ritmo, musicalidade): Uso de metáforas simples mas poderosas, ritmo cadenciado e musicalidade, que evocam a serenidade da natureza. Tom e voz poética — lírico, satírico, elegíaco, épico, irónico, confessional: Predominantemente lírico, contemplativo, espiritual e, por vezes, elegíaco. A voz é humilde e reverente perante a vida e a natureza. Voz poética (pessoal, universal, fragmentada, etc.): A voz é profundamente pessoal, mas alcança uma dimensão universal ao expressar sentimentos e reflexões sobre a condição humana e a beleza do mundo. Linguagem e estilo — vocabulário, densidade imagética, recursos retóricos preferidos: Linguagem depurada, clara e acessível, mas de grande profundidade e ressonância. Vocabulário ligado à natureza e à espiritualidade. A sua escrita é marcada pela sinceridade e pela emoção. Inovações formais ou temáticas introduzidas na literatura: A sua obra trouxe uma nova forma de olhar para a natureza, não apenas como cenário, mas como um espaço de revelação espiritual e de encontro com o transcendente, de forma muito pessoal e despojada. Relação com a tradição e com a modernidade: Conecta-se com a tradição lírica portuguesa, mas a sua abordagem íntima e existencial o insere na modernidade. Movimentos literários associados (ex: simbolismo, modernismo): Não se filia estritamente a um movimento, mas a sua obra partilha sensibilidades com a poesia da segunda metade do século XX. Obras menos conhecidas ou inéditas: Manuscritos e poemas dispersos.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Relação com acontecimentos históricos (guerras, revoluções, regimes): A sua obra não se prendeu a eventos históricos específicos, focando-se numa dimensão mais intemporal e universal da experiência humana. Relação com outros escritores ou círculos literários: Manteve contacto com alguns autores e intelectuais da época, mas a sua obra desenvolveu-se de forma mais isolada, longe dos centros literários mais efervescentes. Geração ou movimento a que pertence (ex.: Romantismo, Modernismo): Figura singular da poesia portuguesa da segunda metade do século XX. Posição política ou filosófica: A sua postura era essencialmente espiritual e humanista, com uma forte crítica implícita aos valores materialistas e desumanizadores da sociedade. Influência da sociedade e cultura na obra: A sociedade portuguesa da sua época, com as suas contradições e a sua busca de valores, pode ter influenciado a sua procura de sentido e transcendência. Diálogos e tensões com contemporâneos: A sua obra destaca-se pela sua originalidade e autenticidade, afastando-se das tendências mais experimentais ou politizadas de alguns contemporâneos. Receção crítica em vida vs. reconhecimento póstumo: Em vida, teve um reconhecimento discreto, mas o seu trabalho ganhou grande projeção e apreço após a sua morte, sendo redescoberto e celebrado.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Relações afetivas e familiares significativas e como moldaram a obra: A sua relação com a natureza e com a paisagem da Arrábida foi central na sua obra, funcionando como um refúgio e uma fonte de inspiração. Amizades e rivalidades literárias: Manteve amizades com alguns autores e intelectuais, mas era uma figura discreta no meio literário. Experiências e crises pessoais, doenças ou conflitos: A sua saúde frágil e a doença que o vitimou precocemente marcaram a sua vida e, de certa forma, a sua obra, com uma consciência da finitude. Profissões paralelas (se não viveu só da poesia): Foi professor de português, dedicando-se com paixão ao ensino. Crenças religiosas, espirituais ou filosóficas: Uma espiritualidade profunda e pessoal, marcada pela fé cristã mas com uma visão muito própria da imanência do sagrado na natureza. Posições políticas e envolvimento cívico: Não teve envolvimento político direto, mas a sua obra é um hino à vida e à dignidade humana.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Lugar na literatura nacional e internacional: Figura de culto e prestígio na literatura portuguesa contemporânea. Prémios, distinções e reconhecimento institucional: Não foi agraciado com grandes prémios em vida, mas a sua obra é amplamente estudada e celebrada. Receção crítica na época e ao longo do tempo: Em vida, foi reconhecido por um círculo restrito. Após a morte, a sua obra foi redescoberta e ganhou enorme popularidade e reconhecimento crítico. Popularidade vs reconhecimento académico: Extremamente popular entre leitores que buscam uma poesia de valores humanistas e espirituais, e também objeto de estudo académico.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Autores que o influenciaram: Camões, Padre António Vieira, os poetas bíblicos, a tradição mística. Poetas e movimentos que influenciou: A sua poesia inspirou gerações posteriores de poetas que buscam uma conexão mais profunda com a natureza e uma espiritualidade imanente. Impacto na literatura nacional e mundial e gerações posteriores de poetas: Legou uma obra poética de grande autenticidade e sensibilidade, que marcou a poesia portuguesa pela sua profunda comunhão com a natureza e pela sua visão humanista. Entrada no cânone literário: Figura sólida no cânone da poesia portuguesa do século XX. Traduções e difusão internacional: A sua obra tem sido traduzida para diversas línguas, permitindo o contacto com um público internacional. Adaptações (música, teatro, cinema): Algumas das suas obras foram musicadas. Estudos académicos dedicados à obra: Inúmeros ensaios, teses e estudos académicos dedicados à sua poesia e à sua figura.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica Leituras possíveis da obra: Celebração da vida, a descoberta do sagrado no quotidiano, a importância da natureza como caminho para a transcendência, a finitude humana. Temas filosóficos e existenciais: A existência como dom, a beleza como manifestação do divino, a relação entre o homem e o cosmos, a busca de sentido. Controvérsias ou debates críticos: Debates sobre a sua religiosidade pessoal e a sua relação com a fé cristã institucionalizada.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Aspetos menos conhecidos da personalidade: Era conhecido pela sua humildade, discrição e pelo seu profundo amor pela vida e pelos seres humanos. Contradições entre vida e obra: A sua saúde frágil contrastava com a vitalidade e a celebração da vida expressas na sua poesia. Episódios marcantes ou anedóticos que iluminam o perfil do autor: A sua profunda ligação e admiração pela Serra da Arrábida, que ele considerava um lugar sagrado. Objetos, lugares ou rituais associados à criação poética: A paisagem da Arrábida, os seus cadernos de notas, a contemplação silenciosa. Hábitos de escrita: Escrevia de forma meditada e cuidadosa, com uma grande atenção à escolha das palavras e ao ritmo. Episódios curiosos: O seu fascínio pela astronomia e pelas estrelas. Manuscritos, diários ou correspondência: Conservam-se manuscritos e cartas que revelam a sua profunda interioridade e o seu processo criativo.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Circunstâncias da morte: Morreu prematuramente em Lisboa, aos 32 anos, devido a uma doença pulmonar. Publicações póstumas: "A Estrada" (1958) e "O Regresso" (1961) foram publicadas após a sua morte, completando o seu legado poético.

Poemas

7

Pequeno poema

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava,
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

P'ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...
42 263

Meu País Desgraçado

Meu país desgraçado!...
E no entanto há Sol a cada canto
e não há Mar tão lindo noutro lado.
Nem há Céu mais alegre do que o nosso,
nem pássaros, nem águas ...

Meu país desgraçado!...
Por que fatal engano?
Que malévolos crimes
teus direitos de berço violaram?

Meu Povo
de cabeça pendida, mãos caídas,
de olhos sem fé
— busca, dentro de ti, fora de ti, aonde
a causa da miséria se te esconde.

E em nome dos direitos
que te deram a terra, o Sol, o Mar,
fere-a sem dó
com o lume do teu antigo olhar.

Alevanta-te, Povo!
Ah!, visses tu, nos olhos das mulheres,
a calada censura
que te reclama filhos mais robustos!

Povo anêmico e triste,
meu Pedro Sem sem forças, sem haveres!
— olha a censura muda das mulheres!
Vai-te de novo ao Mar!
Reganha tuas barcas, tuas forças
e o direito de amar e fecundar
as que só por Amor te não desprezam!

12 725

Toada do Ladrão

A mim não me roubaram
Porque eu nada tinha.
Mas roubaram tudo
À minha vizinha.

Vejam os senhores:
Roubaram-lhe a ela
A filha mais grácil,
A filha mais bela.

Nem na sua casa,
Nem na freguesia,
Sequer no concelho,
Melhor não havia.

Prendada, bonita...
E depois... uns modos
De matar a gente,
De prender a todos.

Dizia a vizinha
Que era o seu tesoiro;
Que valia mais
Que a prata e que o oiro.

Que a não trocaria
Por coisa nenhuma;
Que filhas assim
Só havia uma.

Pois hoje um ladrão
Que há muito a mirava
Entrava-lhe em casa
Para sempre a levava.

É a minha vizinha
Dona de solares
E de longas terras
Com rios e pomares.

E de jóias raras
Que ninguém mais tinha,
Ei-la num instante
Pobrinha... pobrinha...

(Tem pomares ainda,
Tem jóias, tem oiro...
Mas de que lhe servem
Sem o seu tesoiro?)

- Vizinha e senhora,
Não me queira mal!
Se há ladrões felizes
Sou o mais feliz
Que há em Portugal.

10 303

Somos de Barro

Somos de barro. Iguais aos mais.
Ó alegria de sabe-lo!
(Correi, felizes lágrimas,
por sobre o seu cabelo!)

Depois de mais aquela confissão,
impuros nos achamos;
nos descobrimos
frutos do mesmo chão.

Pecado, Amor? Pecado fôra apenas
não fazer do pecado
a força que nos ligue e nos obrigue
a lutar lado a lado.

O meu orgulho assim é que nos quer.
Há de ser sempre nosso o pão, ser nossa a água.
Mas vencidas os ganham, vencedores,
nossa vergonha e nossa mágoa.

O nosso Amor, que história sem beleza,
se não fôra ascensão e queda e teimosia,
conquista... (E novamente queda e novamente
luta, ascensão... ) Ó meu amor, tão fria,

se nascêramos puros, nossa história!

Chora sobre o meu ombro. Confessamos.
E mais certos de nós, mais um do outro,
mais impuros, mais puros, nós ficamos.

11 378

Oração de Todas as Horas

Agora,
que eu já não sei andar nas trevas,
não me roubes a Tua Mão, Senhor,
por piedade!
Voltar às trevas não sei,
e sem a Tua Mão não poderei
dar um só passo em tanta Claridade.

Pelas Tuas feridas minhas, pelas tristezas
de Tua Mãe, Jesus.
não me deixes, no meio desta Luz,
de pernas presas...

Não me deixes ficar
com o Caminho todo iluminado
e eu parado e tão cansado
como se fosse a andar ...

10 182

Os que Vinham da Dor

Os que vinham da Dor tinham nos olhos
estampadas verdades crudelíssimas.
Tudo que era difícil era fácil
aos que vinham da Dor diretamente.

A flor só era bela na raiz,
o Mar só era belo nos naufrágios,
as mãos só eram belas se enrugadas,
aos olhos sabedores e vividos
dos que vinham da Dor diretamente.

Os que vinham da Dor diretamente
eram nobres de mais pra desprezar-vos,
Mar azul!, mãos de lírio!, lírios puros!
Mas nos seus olhos graves só cabiam
as verdades humanas crudelíssimas
que traziam da Dor diretamente.

8 939

Largo do Espirito Santo, 2, 2º

Nem mais, nem menos: tudo tal e qual
o sonho desmedido que mantinhas.
Só não sonharas estas andorinhas
que temos no beiral.

E moramos num largo... E o nome lindo
que o nosso largo tem!
Com isto não contáramos também.
(Éramos dois sonhando e exigindo).

Da nossa casa o Alentejo é verde.
É atirar os olhos: São searas,
são olivais, são hortas ... E pensaras
que haviam nossos de ter sede!

E o pão da nossa mesa! E o pucarinho
que nos dá de beber!... E os mil desenhos
da nossa loiça: flores, peixes castanhos,
dois pássaros cantando sobre um ninho...

E o nosso quarto? Agora podes dar-me
teu corpo sem receio ou amargura.
Olha como a Senhora da moldura
sorri à nossa alma e à nossa carne.

Em tudo, ó Companheira,
a nossa casa é bem a nossa casa.
Até nas flores. Até no azinho em brasa
que geme na lareira.

Deus quis. E nós ao sonho erguemos muros,
rasguei janelas eu e tu bordaste
as cortinas. Depois, ó flor na haste,
foi colher-te e ficamos ambos puros.

Puros, Amor — e à espera.
E serenos. Também a nossa casa.
(Há de bater-lhe à porta com a asa
um anjo de sangue e carne verdadeira).

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Comentários (9)

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Olá... sua poesia é de uma delicadeza enorme , pois não a nada neste mundo de Deus , que não seja sentir os olhares de nossas mães ... cheia de lágrimas e dores sorrir por seu filho , que já chegou ao mundo consagrado pelo amor e bondade , de um amor incondicional já estando por ela esperado. ademir.

Helenant
Helenant

1924-04-10 Vila Nogueira de Azeitão, Portugal 1952-02-07 Lisboa, Portugal

sobocu
sobocu

adorei muito!!!!!!!!!!!!!!

camylle
camylle

I loved it, I love this author

Alice
Alice

Desculpem mas aqui deviam constar todos os poemas de Sebastião da Gama.