Ah! Toda a alma num cárcere anda presa,
Soluçando nas trevas, entre as grades
Do calabouço olhando imensidades,
Mares, estrelas, tardes, natureza.

Tudo se veste de uma igual grandeza
Quando a alma entre grilhões as liberdades
Sonha e, sonhando, as imortalidades
Rasga no etéreo o Espaço da Pureza.

Ó almas presas, mudas e fechadas
Nas prisões colossais e abandonadas,
Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!

Nesses silêncios solitários, graves,
Que chaveiro do Céu possui as chaves
para abrir-vos as portas do Mistério?!


Publicado no livro Últimos Sonetos (1905).

In: SOUSA, Cruz e. Últimos sonetos. Texto estabelecido pelo manuscrito autógrafo e notas Adriano da Gama Kury. Est. liter. Julio Castañon Guimarães. 2.ed. Florianópolis: Ed. da UFSC: Fundação Catarinense de Cultura; Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 1988. p.21
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Comentários (5)

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Kimberlly (⁠ ⁠◜⁠‿⁠◝⁠ ⁠)⁠♡
Kimberlly (⁠ ⁠◜⁠‿⁠◝⁠ ⁠)⁠♡
2026-03-27

Mano, finalmente ele inteiro, amei

Sem dúvida... um silencioso mundo das almas presas em calabouços , ao qual somente quem as chaves dos céus as tem podem alivia-las da escuridão. misteriosa. um grande poeta de sonetos. pena que morreu tão jovem. Ademir.

Lola
Lola
2021-11-25

Obs* !!

Lola
Lola
2021-11-25

Vim apenas estudar e acabei adorando ??

poenirbix
poenirbix
2019-12-02

uauu muito legal, nao entendi nada