Murilo Mendes

Murilo Mendes

Murilo Mendes foi um poeta brasileiro, considerado um dos mais importantes nomes da poesia do século XX no Brasil. Sua obra é marcada pela originalidade, pela influência do surrealismo e do cubismo, e por uma profunda religiosidade que se manifesta de maneira singular e, por vezes, irreverente. Mendes explorou temas como a fé, o cotidiano, a arte, a cultura popular e a dimensão espiritual da existência, com um estilo que mescla o lírico, o visionário e o lúdico. Sua poesia, que se desenvolveu a partir do modernismo brasileiro, dialogou intensamente com outras artes e com a tradição religiosa, criando um universo poético único e de grande impacto.

1901-05-13 Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil
1975-08-14 Lisboa
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Corte Transversal do Poema

A música do espaço pára, a noite se divide em dois
[pedaços.
Uma menina grande, morena, que andava na minha
[cabeça,
fica com um braço de fora.
Alguém anda a construir uma escada pros meus
[sonhos.
Um anjo cinzento bate as asas
em torno da lâmpada.
Meu pensamento desloca uma perna,
o ouvido esquerdo do céu não ouve a queixa dos
[namorados.
Eu sou o olho dum marinheiro morto na Índia,
um olho andando, com duas pernas.
O sexo da vizinha espera a noite se dilatar, a força
[do homem.
A outra metade da noite foge do mundo, empinando
[os seios.
Só tenho o outro lado da energia,
me dissolvem no tempo que virá, não me lembro mais
[quem sou.


Publicado no livro Poemas (1930). Poema integrante da série A Cabeça Decotada.

In: MENDES, Murilo. Poesias, 1925/1955. Rio de Janeiro: J. Olympio, 195
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