Sob os Ramos, 1907

É no Estio. A alma, aqui, vai-me sonora,
No meu cavalo — sob a loira poeira
Que chove o sol — e vai-me a vida inteira
No meu cavalo, pela estrada afora.

Ai! desta em que te escrevo alta mangueira
Sob a copada verde a gente mora.
E em vindo a noite, acende-se a fogueira
Que se fez cinza de fogueira agora.

Passa-me a vida pelo campo... E a vida
Levo-a cantando, pássaros no seio,
Qual se os levasse a minha mocidade...

Cada ilusão floresce renascida;
Flora, renasces ao primeiro anseio
Do teu amor... nas asas da Saudade!


In: CAMPOS, Augusto de. ReVisâo de Kilkerry. São Paulo: Fundação Estadual de Cultura, 1970
2 563 Visualizações
Partilhar

Comentários (1)

Iniciar sessão para publicar um comentário.
Gaby
Gaby
2023-05-25

É no Estio. A alma, aqui, vai-me sonora,No meu cavalo — sob a loira poeiraQue chove o sol — e vai-me a vida inteiraNo meu cavalo, pela estrada afora.Ai! desta em que te escrevo alta mangueiraSob a copada verde a gente mora.E em vindo a noite, acende-se a fogueiraQue se fez cinza de fogueira agora.Passa-me a vida pelo campo... E a vidaLevo-a cantando, pássaros no seio,Qual se os levasse a minha mocidade...Cada ilusão floresce renascida;Flora, renasces ao primeiro anseioDo teu amor... nas asas da Saudade!