"Ai! infância, que tempo ditoso!
Que saudades tudo isto me traz!"

X. Cordeiro


Quem me dera ser criança
Reviver tempo de outrora,
Não ter males como agora,
Ver no futuro uma aurora,
E no presente a esperança! —

Quem me dera os doces beijos
Das virgens que me beijavam,
Abraços que me alegravam;
Quem me dera o que me davam
Os meus volúveis desejos! —

Quem me dera as travessuras
Da minha quadra passada,
E a carreira tresloucada,
E a vida tão esmaltada
De tanto amor e doçuras! —

Quem me dera os contozinhos,
Que minha mãe me contava,
As orações que eu rezava,
Que o velho pai me ensinava,
E seu afago e carinhos.

Oh! que delícia tivera!
— Não conhecer outra idade,
Não saber o que é maldade,
Gozar sempre a f'licidade...
Senhor! Senhor! — Quem me dera!


Publicado no livro Rosas e Goivos (1848).

In: BONIFÁCIO, José, o moço. Poesias. Org. e apres. Alfredo Bosi e Nilo Scalzo. São Paulo: Conselho Estadual de Cultura, 1962. p.41-42. (Poesia, 5
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