

José Bonifácio, o Moço
José Bonifácio de Andrade e Silva, conhecido como o Moço, foi uma figura proeminente do Império do Brasil, atuando como político, diplomata, jurista e professor. Era sobrinho de José Bonifácio de Andrade e Silva, o Patriarca da Independência, e desempenhou um papel crucial na consolidação do período regencial e na defesa da unidade territorial brasileira. Sua atuação política foi marcada pela defesa do abolicionismo e pela busca de um sistema político que garantisse a estabilidade do país em um momento de grandes transformações.
1827-11-08 Bordéus
1886-10-26 São Paulo
14286
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1
O Escultor-Poeta
Ao Ilmo. Sr. M.A.A.A.
Je meurs, mais tu vivras...
(Amour et foi)
(...)
VI
Sonha, sonha, meu bardo; os dias passam,
— Corre a vida na terra;
O teu sonhar ninguém entende; ó vate,
— O paraíso encerra.
Sonha, meu bardo, que teu sonho é vida,
E é cedo p'ra morrer:
Inda te resta de absíntio amargo
Uma gota a sorver.
Falaste ao mundo, desdenhou-te os cantos;
Deste-lhe um coração, não quis afetos;
Choraste e não valeram os teus prantos!
Que importa? — Tens o sonho que te embala,
O divino cinzel que talha o mármor,
Que pela voz de Deus na terra fala,
Que a fragrância do céu no mundo exala.
Não pares de sonhar, — sonha, meu bardo,
Sonha embora co'a morte:
No frio encosto um corpo, e além tua alma
Em férvido transporte.
(...)
Publicado no livro Rosas e Goivos (1848).
In: BONIFÁCIO, José, o moço. Poesias. Org. e apres. Alfredo Bosi e Nilo Scalzo. São Paulo: Conselho Estadual de Cultura, 1962. p.23-24. (Poesia, 5)
NOTA: M.A.A.A.: muito provavelmente, Manuel Antônio Álvares de Azevedo (segundo Alfredo Bosi e Nilo Scalzo); Poema composto de 8 parte
Je meurs, mais tu vivras...
(Amour et foi)
(...)
VI
Sonha, sonha, meu bardo; os dias passam,
— Corre a vida na terra;
O teu sonhar ninguém entende; ó vate,
— O paraíso encerra.
Sonha, meu bardo, que teu sonho é vida,
E é cedo p'ra morrer:
Inda te resta de absíntio amargo
Uma gota a sorver.
Falaste ao mundo, desdenhou-te os cantos;
Deste-lhe um coração, não quis afetos;
Choraste e não valeram os teus prantos!
Que importa? — Tens o sonho que te embala,
O divino cinzel que talha o mármor,
Que pela voz de Deus na terra fala,
Que a fragrância do céu no mundo exala.
Não pares de sonhar, — sonha, meu bardo,
Sonha embora co'a morte:
No frio encosto um corpo, e além tua alma
Em férvido transporte.
(...)
Publicado no livro Rosas e Goivos (1848).
In: BONIFÁCIO, José, o moço. Poesias. Org. e apres. Alfredo Bosi e Nilo Scalzo. São Paulo: Conselho Estadual de Cultura, 1962. p.23-24. (Poesia, 5)
NOTA: M.A.A.A.: muito provavelmente, Manuel Antônio Álvares de Azevedo (segundo Alfredo Bosi e Nilo Scalzo); Poema composto de 8 parte
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