

Al Berto
Al Berto, pseudónimo de Alberto P. F. M. de Oliveira, foi um poeta português contemporâneo, nascido em 1948 e falecido em 1997. Sua obra é marcada por uma intensa subjetividade, a exploração da identidade e a presença constante do mar e da cidade de Lisboa. É considerado um dos nomes mais importantes da poesia portuguesa da segunda metade do século XX.
1948-01-11 Coimbra
1997-06-13 Lisboa
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As mãos pressentem
As mãos pressentem a leveza rubra do lume
repetem gestos semelhantes a corolas de flores
voos de pássaro ferido no marulho da alba
ou ficam assim azuis
queimadas pela secular idade desta luz
encalhada como um barco nos confins do olhar
ergues de novo as cansadas e sábias mãos
tocas o vazio de muitos dias sem desejo e
o amargor húmido das noites e tanta ignorância
tanto ouro sonhado sobre a pele tanta treva
quase nada
repetem gestos semelhantes a corolas de flores
voos de pássaro ferido no marulho da alba
ou ficam assim azuis
queimadas pela secular idade desta luz
encalhada como um barco nos confins do olhar
ergues de novo as cansadas e sábias mãos
tocas o vazio de muitos dias sem desejo e
o amargor húmido das noites e tanta ignorância
tanto ouro sonhado sobre a pele tanta treva
quase nada
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Prémios e Movimentos
PEN Clube 1988Ana Macieira
Al Berto é um poeta quase mágico, entre a leveza das mãos que são aves doridas e o trágico da vida, uma folha tombada, «quase nada». A sua poesia eternizou-o pela emoção, pela beleza, pelo grito, pela vida de ser diferente...
29/agosto/2016
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