António Nobre

António Nobre

António Nobre foi um poeta português, figura proeminente do Simbolismo e do decadentismo em Portugal, conhecido pela sua poesia melancólica, musical e repleta de saudade. A sua obra, marcada por uma forte subjetividade e um tom elegíaco, reflete a sua profunda ligação a Portugal e uma visão pessoal e nostálgica do mundo. A sua obra poética, embora relativamente escassa em termos de volume, exerceu uma influência significativa na poesia portuguesa posterior, consolidando-o como um dos poetas mais emblemáticos do final do século XIX e início do século XX.

1867-08-16 Porto, Portugal
1900-03-18 Porto
65221
0
19

Balada do caixão

O meu vizinho é carpinteiro,
Algibebe de Dona Morte,
Ponteia e cose, o dia inteiro,
Fatos de pau de toda a sorte:
Mognos, debruados de veludo,
Flandres gentil, pinho do Norte...
Ora eu que trago um sobretudo
Que já me vai a aborrecer,
Fui-me lá, ontem: (Era Entrudo,
Havia imenso que fazer...)
- Olá, bom homem! quero um fato,
Tem que me sirva? - Vamos ver...
Olhou, mexeu na casa toda.
- Eis aqui um e bem barato.
- Está na moda? - Está na moda.
(Gostei e nem quis apreçá-lo:
Muito justinho, pouca roda...)
- Quando posso mandar buscá-lo?
- Ao pôr-do-Sol. Vou dá-lo a ferro:
(Pôs-se o bom homem a aplainá-lo...)

Ó meus Amigos! salvo erro,
Juro-o pela alma, pelo Céu:
Nenhum de vós, ao meu enterro,
Irá mais dândi, olhai! do que eu!

8302
8


Prémios e Movimentos

Simbolismo
Victória Coelho
Adorei
26/novembro/2014

Quem Gosta

Quem Gosta

Seguidores