Soneto a Charles Chaplin

Já que o sal não nos dão nos dás a rosa,
a nós que temos sido a pura espera,
de que viesses trazendo a primavera
à nossa contingência dolorosa.

E na vila noturna e silenciosa
onde as pedras têm vida e os galhos de hera
nos falam, sob as luas da quimera
seremos a ciranda e a polvorosa.

Assim, na inquietação dos novos climas,
teremos os teus passos e presença
junto às nossas privadas pantomimas.

Sendo quase irreais quanto insensatos,
como se repousáramos na crença
do céu que deve haver para os sapatos.
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