Meu Deus, me dê a Coragem
Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
o meu pecado de pensar.
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
o meu pecado de pensar.
Comentários (5)
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2024-03-06
Como não comentar tal poetisa!!! é uma das maiores estrelas da poesia. ademir.
LUANA
2022-03-30
VOU FAZER UM TRABALHO PARA A ESCOLA SOBRE O SEU POEMA
Alexandre Palmeiro
2021-10-22
Magnifico! Trata das questões existências pungentes de uma maneira que nos convida à reflexão a cada linha.
Alexandre
2021-08-28
É una oração, uma suplica humilde que reconhece seu tamanho existencial....É lindo... E me leva, e me consola!
tomás
2012-03-06
Realmente Clarice não escrevia em versos. Mas sua prosa podia ser versificada, pois o ritmo se presta a tal. Este poema é do livro 'Um sopro de vida', iniciado em 1974 só foi concluído às vésperas de sua morte em 1977. Foi publicado em 1986. No Livro, obviamente, está em prosa.