É teu destino, ó José,
a esta hora da tarde,
se encostar na parede,
as mãos para trás.
Teu paletó abotoado
de outro frio te guarda,
enfeita com três botões
tua paciência dura.
A mulher que tens, tão histérica,
tão histórica, desanima.
Mas, ó José, o que fazes?
Passeias no quarteirão
o teu passeio maneiro
e olhas assim e pensas,
o modo de olhar tão pálido.
Por improvável não conta
o que tu sentes, José?
O que te salva da vida
é a vida mesma, ó José,
e o que sobre ela está escrito
a rogo de tua fé:
“No meio do caminho tinha uma pedra”,
“Tu és pedra e sobre esta pedra”,
a pedra, ó José, a pedra.
Resiste, ó José. Deita, José,
dorme com tua mulher,
gira a aldraba de ferro pesadíssima.
O reino do céu é semelhante a um homem
como você, José.
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Comentários (1)

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Que lapa de texto! Quanta força tu tens ó josé! Não te queixas ó José. não, não o faz. Por quê não o faz? Não sei, não entendo. Não sei se porquê não o faz. Não sei se sois consciente que tua bravura, tua força, tua resistência vem de toda essa opressão que vives. Talvez não tenhas tempo para pensar, só és. Na verdade tu és. És tu José. Sim, és tu. Reconheci que é tu José. Na verdade mesmo, só agora reconheci que definitivamente és tu José. Só podia ser tu, ó José.