

Adélia Prado
Adélia Prado é uma poetisa brasileira contemporânea, conhecida pela sua poesia que entrelaça o cotidiano com o sagrado, o profano com o espiritual, e o trivial com o transcendente. A sua obra, marcada por uma linguagem direta, coloquial e por vezes inesperadamente lírica, reflete uma profunda reflexão sobre a condição feminina, a fé, o corpo, a morte e a busca por sentido numa realidade muitas vezes desprovida de transcendência. Prado oferece uma visão única da vida urbana e das relações humanas, onde a poesia emerge dos gestos mais simples e dos momentos mais corriqueiros, revelando a beleza e o mistério escondidos na experiência quotidiana.
1935-12-13 Divinópolis
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A Seduzida
Por causa de Jonathan
minha idade regride.
Por certo morrerei
se insistir em só amar,
sem comer nem dormir.
Amor e morte são casados
e moram no abismo trevoso.
Seus filhos,
o que se chama Felicitas
tem o apelido de Fel.
O centro da luz é escuro
do negrume de Deus,
é sombra espessa de dia,
de noite tudo reluz.
Comigo os séculos porfiam
na encarnação de Jesus.
minha idade regride.
Por certo morrerei
se insistir em só amar,
sem comer nem dormir.
Amor e morte são casados
e moram no abismo trevoso.
Seus filhos,
o que se chama Felicitas
tem o apelido de Fel.
O centro da luz é escuro
do negrume de Deus,
é sombra espessa de dia,
de noite tudo reluz.
Comigo os séculos porfiam
na encarnação de Jesus.
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