

Gregório de Matos
Gregório de Matos, conhecido como "Boca do Inferno", foi um poeta barroco brasileiro do século XVII. A sua obra, caracterizada por uma variedade de registos — lírico, satírico, erótico e religioso —, reflete a sociedade colonial do Brasil da época com crueza e humor. É amplamente considerado o primeiro grande poeta brasileiro, conhecido pela sua veia satírica mordaz contra as autoridades e os costumes da Bahia, mas também pela sua lírica amorosa e reflexões existenciais.
1636-12-23 Salvador, Bahia, Brasil
1696-11-26 Recife, Pernambuco, Brasil
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Soneto
Carregado de mim ando no mundo,
E o grande peso embarga-me as passadas,
Que como ando por vias desusadas,
Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo.
O remédio será seguir o imundo
Caminho, onde dos mais vejo as pisadas,
Que as bestas andam juntas mais ousadas,
Do que anda só o engenho mais profundo.
Não é fácil viver entre os insanos,
Erra, quem presumir que sabe tudo,
Se o atalho não soube dos seus danos.
O prudente varão há de ser mudo,
Que é melhor neste mundo, mar de enganos,
Ser louco cos demais, que só, sisudo.
E o grande peso embarga-me as passadas,
Que como ando por vias desusadas,
Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo.
O remédio será seguir o imundo
Caminho, onde dos mais vejo as pisadas,
Que as bestas andam juntas mais ousadas,
Do que anda só o engenho mais profundo.
Não é fácil viver entre os insanos,
Erra, quem presumir que sabe tudo,
Se o atalho não soube dos seus danos.
O prudente varão há de ser mudo,
Que é melhor neste mundo, mar de enganos,
Ser louco cos demais, que só, sisudo.
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