Entre a língua e a guerra podemos constatar aproximadamente a seguinte relação: … — Karl Kraus
Entre a língua e a guerra podemos constatar aproximadamente a seguinte relação: aquela língua que mais estiver enrijecida sob a forma de chavões também será responsável pela tendência e pela disposição para substituir a substância por um sucedâneo de entonação; com convicção, achar irrepreensível em si própria tudo aquilo que no outro apenas provoca censura; desmascarar com indignação aquilo que também se gosta de fazer; enredar qualquer dúvida num matagal de frases e repelir sem esforço, como um ataque inimigo, qualquer suspeita de que alguma coisa não esteja em ordem. Essa é sobretudo a qualidade de uma língua que hoje se parece com aquele produto acabado cuja venda constitui o conteúdo da vida dos seus falantes; ela brilha como uma auréola e tem apenas a alma óbvia do homem de bem que não tem tempo de cometer uma maldade porque a sua vida se limita aos negócios e, caso não seja suficiente, deixa uma conta em aberto.
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.