Woodie, um cãozinho de pelo longo que conheci pessoalmente — ele ria quando as p… — Karl Kraus
Woodie, um cãozinho de pelo comprido que conheci pessoalmente — ele ria quando as pessoas conversavam com ele e chorava porque não podia conversar com elas, e o seu olhar era em si e para elas a gratidão da criatura —, foi atropelado por um automóvel. Quem teria tanta pressa? Deveria o pouquinho de espaço entre os corpos humanos que um transeunte desses exigia — ele podia encolher-se como uma cobra — ser melhor empregado? Os dignos pagam para que os outros continuem vivendo indignamente. E para quê, afinal, já que esse exemplo não melhora os maus? Ele seguia o seu caminho e morreu por isso. Quando a mulher se voltou, ele jazia ao sol. Quando a vida não tem palavras, resta tanto silêncio.
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.