O Poeta de Hoje

O poeta hoje não cantará heróis nem símbolos.

À dor dos séculos os mortos despertaram.
Incendeiam-se mares, florestas e montanhas,
e marcha pela madrugada o exército dos sem rostos.

O poeta hoje não cantará heróis nem símbolos.
Traz no peito a angústia das máquinas.
Travam-lhe a garganta baionetas sem lua.

Rompe nas suas mãos um sol feito de sangue
e os cavalos da fome puxam o carro da aurora.

O poeta hoje não cantará nem símbolos.

1 115 Visualizações

Comentários (0)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.