A figura é de bronze... É contudo, auscultando
No seu fúnebre sono essa escultura antiga,
Sente-se dentro della, arfando de fadiga,
Um pobre coração que envelheceu amando.


Uma vida ignorada agita o bronze... E quando
O seu olhar de estátua ao nosso olhar se liga,
Deixa em nós a visão d'um sonho que se abriga
Dentro d'uma armadura, a morte receando...


Há momentos, então, em que uma claridade
Vinda talvez do céu (talvez da terra...) invade
Como a alma d'um Deus a estátua - e de repente



À vida chama enfim a sua vista absorta...
- A figura é de bronze; é certo... Mas, que importa?
A luz do génio torna o bronze transparente!

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