O degolado
O degolado que dizia
que ficara sem cabeça
por causa da poesia
o degolado que gritava
por causa da mulher
que era quem mais amava
o degolado que gemia
por causa do silêncio
que à sua volta havia
o degolado que parecia
que quanto mais calava
mais ele enrouquecia
o degolado que sorria
com a língua de fora
e uma lágrima de alegria
o degolado que ainda olhava
mas que já não via
a morte que o matava
o degolado de olhos tortos
e revirados para o céu
como os de todos os mortos
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