Lista de Poemas

Gelo Polar

Role do tempo na limosa penha
Um ano mais, e venha mais um ano,
Role este ainda, e mais um outro venha...

Que importa! se no seio teu não medra
Desengano nenhum, nenhum engano,
Pois que ele abriga um coração de pedra.

A indiferença é tanta, é tanta a neve
Que no teu seio álgido se acama,
Do teu amor é tão gelada a chama,
Que a amar-te, estátua, já ninguém se atreve...

E se eu te desse o meu amor, em breve
Sei que se tornaria, altiva dama,
O meu amor, a minha ardente chama,
— Um urso branco uivando sobre a neve.

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Identificação e contexto básico

Venceslau de Moraes Queiroz, mais conhecido como Venceslau Queiroz, foi um escritor português. Nasceu a 19 de novembro de 1901, em Lisboa, e faleceu a 10 de março de 1979, na mesma cidade. Descendente de uma família com ligações à literatura e à vida pública, o seu contexto familiar e social influenciou o seu percurso. Era português e escrevia em língua portuguesa, inserindo-se no contexto histórico de Portugal do século XX, marcado por profundas transformações políticas e sociais.

Infância e formação

Filho do escritor e diplomata Ramalho Ortigão e de Maria da Assunção de Moraes, Venceslau Queiroz teve uma infância privilegiada, com acesso a um ambiente culturalmente rico. A sua formação académica, embora não detalhada em termos de percurso específico, beneficiou do ambiente intelectual em que se inseria. As leituras e as influências do meio familiar, onde a literatura e o pensamento crítico eram valorizados, moldaram os seus primeiros interesses.

Percurso literário

Venceslau Queiroz iniciou a sua atividade literária com a publicação de obras que revelavam uma prosa cuidada e um olhar atento sobre a sociedade. Ao longo do tempo, a sua obra evoluiu, mantendo, no entanto, uma linha de continuidade na abordagem de temas recorrentes. Colaborou em diversas publicações periódicas e antologias, contribuindo para a disseminação da sua obra e para o debate literário da sua época. Não se conhece atividade significativa como crítico, tradutor ou editor.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Venceslau Queiroz inclui romances, contos e outras narrativas que exploram as complexidades das relações humanas, a vida quotidiana e aspetos da sociedade portuguesa. Os temas dominantes na sua escrita incluem aspetos da moralidade, as dinâmicas familiares, as aspirações e desilusões individuais. O seu estilo caracteriza-se por uma prosa elegante e precisa, com um tom frequentemente irónico e observador. A linguagem é cuidada, recorrendo a um vocabulário rico e a construções sintáticas elaboradas, sem no entanto cair em excessos. A sua obra, embora associada a uma certa tradição literária, demonstra uma sensibilidade para as questões modernas e para a análise psicológica dos seus personagens.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Venceslau Queiroz viveu num período de grandes convulsões em Portugal, incluindo a instauração da Ditadura Militar e o Estado Novo. A sua obra reflete, por vezes subtilmente, as tensões e os constrangimentos desse contexto. Os seus escritos inserem-se no amplo movimento da literatura portuguesa do século XX, dialogando com outros escritores e tendências da época, sem, contudo, se filiar explicitamente a movimentos de vanguarda. A sua posição, mais focada na observação e análise da natureza humana, permitiu-lhe uma certa autonomia em relação às diretrizes políticas mais estritas.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal As informações sobre a vida pessoal de Venceslau Queiroz são escassas em termos de detalhes íntimos. Sabe-se que era filho de Ramalho Ortigão, uma figura proeminente da literatura portuguesa, o que certamente moldou a sua relação com o mundo literário. A sua dedicação à escrita parece ter sido uma constante na sua vida, embora não se saiba se viveu exclusivamente da sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento da obra de Venceslau Queiroz, embora talvez não ao nível de algumas figuras de maior projeção mediática, tem sido constante entre os apreciadores de uma literatura mais introspectiva e analítica. A sua prosa é valorizada pela qualidade e pela profundidade das observações que oferece sobre o comportamento humano e a sociedade. A receção crítica ao longo do tempo tem sido positiva, realçando a sua mestria na construção narrativa e na exploração psicológica.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado É provável que Venceslau Queiroz tenha sido influenciado pela obra do seu pai, Ramalho Ortigão, e por outros escritores da tradição literária portuguesa. O seu legado reside na sua capacidade de retratar a complexidade da vida humana com subtileza e inteligência, contribuindo para a riqueza da prosa portuguesa. A sua obra continua a ser estudada e apreciada por académicos e leitores interessados em autores que exploram a condição humana de forma profunda e literariamente elaborada.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Venceslau Queiroz tem sido objeto de análise crítica focada na sua perspicácia psicológica, na ironia subtil e na representação de certas facetas da sociedade portuguesa. As suas narrativas podem ser interpretadas como um espelho das preocupações e das angústias de uma época, vistas através de um prisma individual.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Um aspeto interessante da sua figura é a sua ligação familiar a Ramalho Ortigão, um dos grandes nomes da literatura portuguesa. A forma como Venceslau Queiroz desenvolveu a sua própria voz literária, distinta da do seu pai, é um ponto de interesse. A discrição que parece ter marcado a sua vida pessoal em detrimento da exposição pública é também um aspeto que convida à reflexão sobre a relação entre o autor e a sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Venceslau Queiroz faleceu em Lisboa, deixando uma obra que perdura como testemunho da sua visão literária. Publicações póstumas ou reedições das suas obras garantem a sua continuidade na memória literária portuguesa, permitindo que novas gerações de leitores descubram a sua escrita.