Lista de Poemas

A VIAGEM DEFINITIVA

Ir-me-ei embora. E ficarão os pássaros
Cantando.
E ficará o meu jardim com sua árvore verde
E o seu poço branco.

Todas as tardes o céu será azul e plácido,
E tocarão, corno esta tarde estão tocando,
Os sinos do companário.

Morrerão os que me amaram
E a aldeia se renovará todos os anos.
E longe do bulício distinto, surdo, raro
Do domingo acabado,
Da diligência das cinco, das sestas do banho,
No recanto secreto do meu jardim florido e caiado
Meu espírito de hoje errará nostálgico...
E ir-me-ei embora, e serei outro, sem lar, sem árvore

Verde, sem poço branco,
Sem céu azul e plácido...
E os pássaros ficarão cantando.

5 946

La noche

La noche

El dormir es como un puente

que va del hoy al mañana.

Por debajo, como un sueño,

pasa el agua, pasa el alma.

4 720

NÃO ROUBES

Não roubes
à tua pura solidão
teu ser calado e firme.
Evita o necessário
explicar-te a ti mesmo
contra quase toda gente.
Tu sozinho encherás
inteiramente o mundo.
2 903

JOGO

(O dia e Robert Browning)

O verdelhão no choupo
- E que mais?
O choupo no céu azul
- E que mais?
O céu azul dentro dágua
- E que mais?
A água na folhinha nova
- E que mais?
A folha nova na rosa
- E que mais?
A rosa em meu coração
- E o meu coração no teu!

2 691

Álamo blanco

Arriba canta el pájaro
y abajo canta el agua.

(Arriba y abajo,
se me abre el alma).

¡Entre dos melodías,
la columna de plata!

Hoja, pájaro, estrella;
baja flor, raíz, agua.

¡Entre dos conmociones,
la columna de plata!

(¡Y tú, tronco ideal,
entre mi alma y mi alma!)

Mece a la estrella el trino,
la onda a la flor baja.

(Abajo y arriba,
me tiembla el alma).

 

3 212

UNIVERSO

Teu corpo: ciúmes do céu.
Minhalma: ciúmes do mar.
(Pensa minhalma outro céu.
Teu corpo sonha outro mar.)

2 580

DE VOLTA

Devagar voltamos,
Com tudo já dito.
Tu me olhas ainda,
Eu já não te fito.

Tu tocas nas flores,
Eu vou beira-rio.
Que modo diverso
O de nós sorrirmos!

A grande lua branca
Em nosso caminho!
A ti ela aquece,
A mim me dá frio.

3 318

VIRTUDE

Tem cuidado
Quando beijas o pão
Que te beija a mão!

2 437

PAVILHÃO

Muros altos de teu corpo.
Não havia entrada em teu horto.

(Que onda de asas ascendia!
Oh o que ali se passaria!)

Céu claro ou turvo, que importa?
Não havia entrada em tua glória.

(Que aroma às vezes subia!
Oh em teus vergéis que haveria?)

Tornaste a ficar fechada.
Não havia em tua alma entrada!

2 541

Comentários (3)

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naty
naty

Todas as rosas são a mesma rosa Todas as rosas são a mesma rosa, amor!, a única rosa; e tudo está contido nela, breve imagem do mundo, amor!, a única rosa. Que acontece a uma música Que acontece a uma música, quando deixa de soar; e a uma brisa que deixa de voar, e a uma luz que se apaga? Morte, diz: que és tu, senão silêncio, calma e sombra? Quando eu estiver com as raízes Quando eu estiver com as raízes chama-me com tua voz. Irá parecer-me que entra a tremer a luz do sol. Inflama-me, poente: faz-me perfume e chama Inflama-me, poente: faz-me perfume e chama; que o meu coração seja igual a ti, poente! descobre em mim o eterno, o que arde, o que ama, ...e o vento do esquecimento arraste o que é doente! Eu não voltarei Eu não voltarei. E a noite morna, serena, calada, adormecerá tudo, sob sua lua solitária. Meu corpo estará ausente, e pela janela alta entrará a brisa fresca a perguntar por minha alma. Ignoro se alguém me aguarda de ausência tão prolongada, ou beija a minha lembrança entre carícias e lágrimas. Mas haverá estrelas, flores e suspiros e esperanças, e amor nas alamedas, sob a sombra das ramagens. E tocará esse piano como nesta noite plácida, não havendo quem o escute, a pensar, nesta varanda.

naty
naty

Quem me dera um homem me falar um poema desses,kkkkkkkkkkkkkkkk

naty
naty

muito bom choreiiii

Identificação e contexto básico

Juan Ramón Jiménez Mantecón foi um poeta espanhol, nascido em Moguer, Huelva. É uma das figuras centrais da Geração de 1956, conhecida pela sua profunda renovação da poesia espanhola. Recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1956.

Infância e formação

Nascido numa família abastada, Jiménez estudou Direito na Universidade de Sevilha, mas rapidamente se dedicou à literatura. A sua juventude foi marcada por uma grande sensibilidade e por uma intensa vida interior. A sua formação foi largamente autodidata, com leituras que incluíam os poetas simbolistas franceses e a poesia espanhola clássica.

Percurso literário

O percurso literário de Juan Ramón Jiménez é marcado por uma constante busca pela perfeição e pela "poesia pura". Iniciou a sua carreira no âmbito do Modernismo espanhol, mas logo se afastou das suas manifestações mais superficiais para desenvolver um estilo próprio. A sua obra abrange um longo período, dividido em várias fases, cada uma com as suas características e aprofundamentos temáticos e formais.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras principais de Jiménez incluem "Ninfeas" (1900), "Almas de violeta" (1900), "Arias tristes" (1903), "Jardines lejanos" (1904), "Elegías" (1909-1910), "Poemas Mágicos y Reales" (1923), "Eternidades" (1918) e a monumental "Diario de un poeta recién casado" (1916), que marca uma viragem na sua obra. O seu estilo evoluiu de um lirismo inicial mais subjetivo e melancólico para uma poesia mais depurada, metafísica e transcendente, em busca da essência. Explora temas como a natureza (vista como reflexo do estado interior), o amor, a morte, a busca pela identidade e a própria natureza da poesia. A sua linguagem é musical, precisa, com um vocabulário cuidadosamente escolhido e uma grande densidade imagética.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Jiménez viveu num período de intensas transformações em Espanha, incluindo a perda das últimas colónias, a ditadura de Primo de Rivera e a Guerra Civil Espanhola. O seu exílio autoimposto nos Estados Unidos e em Porto Rico, após a Guerra Civil, marcou profundamente os seus últimos anos e a sua obra. Foi um dos expoentes máximos da chamada "Geração de 1956" ou "Geração de 14", um grupo de intelectuais e artistas que procuraram renovar a cultura espanhola.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida de Juan Ramón Jiménez foi intensamente marcada pelo seu casamento com Zenobia Camprubí, que foi sua companheira, colaboradora e tradutora. A sua saúde frágil e a sua natureza introspectiva levaram-no a uma vida relativamente reclusa, dedicada à poesia e à reflexão. O exílio foi um dos momentos mais difíceis da sua vida.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Embora tenha sido uma figura respeitada em Espanha durante a sua vida, o reconhecimento internacional consolidou-se com a atribuição do Prémio Nobel da Literatura em 1956. A sua obra tem sido objeto de estudo e admiração em todo o mundo, sendo considerado um dos poetas mais importantes da literatura em língua espanhola.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Jiménez foi influenciado por poetas como Garcilaso de la Vega, Fray Luis de León, os simbolistas franceses (Verlaine, Mallarmé) e Rubén Darío. O seu legado é imenso, tendo influenciado gerações de poetas em língua espanhola, que encontraram na sua "poesia pura" um modelo de depuração estética e de busca existencial. A sua obra é amplamente estudada e traduzida.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Jiménez é frequentemente interpretada como uma jornada espiritual e estética em busca da beleza absoluta e da transcendência. A sua "poesia pura" é vista como uma forma de apreender a realidade na sua essência mais íntima, ultrapassando as aparências.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos O seu "diário de um poeta recém-casado" é considerado um dos livros mais inovadores da poesia espanhola, misturando prosa e verso, e abordando a experiência do casamento e da viagem de uma forma inédita. A sua dedicação à "poesia pura" levou-o a uma autoexigência extrema, que moldou toda a sua produção literária.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Juan Ramón Jiménez faleceu em San Juan, Porto Rico. A sua memória é celebrada como a de um dos maiores poetas da literatura em língua espanhola, um mestre da palavra e um explorador das profundezas da alma humana e da própria poesia.