Lista de Poemas

Encontro de duas mãos

Encontro de duas mãos
que procuram estrelas,
nas entranhas da noite!
11 225

Eu não voltarei

Eu não voltarei. E a noite
morna, serena, calada,
adormecerá tudo, sob
sua lua solitária.
Meu corpo estará ausente,
e pela janela alta
entrará a brisa fresca
a perguntar por minha alma.

Ignoro se alguém me aguarda
de ausência tão prolongada,
ou beija a minha lembrança
entre carícias e lágrimas.

Mas haverá estrelas, flores
e suspiros e esperanças,
e amor nas alamedas,
sob a sombra das ramagens.

E tocará esse piano
como nesta noite plácida,
não havendo quem o escute,
a pensar, nesta varanda.
10 805

Inflama-me, poente: faz-me perfume e chama

Inflama-me, poente: faz-me perfume e chama;
que o meu coração seja igual a ti, poente!
descobre em mim o eterno, o que arde, o que ama,
...e o vento do esquecimento arraste o que é doente!
12 601

A solidão era eterna

A solidão era eterna
e o silêncio inacabável.
Detive-me com uma árvore
e ouvi falar as árvores.
10 214

A terra leva-nos por terra

A terra leva-nos por terra;
mas tu, mar,
levas-nos pelo céu.
9 655

Todas as rosas são a mesma rosa

Todas as rosas são a mesma rosa,
amor!, a única rosa;
e tudo está contido nela,
breve imagem do mundo,
amor!, a única rosa.
11 512

A rosa

A rosa:
tua nudez feita graça.
A fonte:
tua nudez feita água.

A estrela:
tua nudez feita alma.
11 013

Está tão puro já meu coração

Está tão puro já meu coração,
que é o mesmo que morra
ou cante.
10 107

Que acontece a uma música

Que acontece a uma música,
quando deixa de soar;
e a uma brisa que deixa
de voar,
e a uma luz que se apaga?
Morte, diz: que és tu, senão silêncio,
calma e sombra?
9 486

Quando eu estiver com as raízes

Quando eu estiver com as raízes
chama-me com tua voz.
Irá parecer-me que entra
a tremer a luz do sol.
10 379

Comentários (3)

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naty
naty

Todas as rosas são a mesma rosa Todas as rosas são a mesma rosa, amor!, a única rosa; e tudo está contido nela, breve imagem do mundo, amor!, a única rosa. Que acontece a uma música Que acontece a uma música, quando deixa de soar; e a uma brisa que deixa de voar, e a uma luz que se apaga? Morte, diz: que és tu, senão silêncio, calma e sombra? Quando eu estiver com as raízes Quando eu estiver com as raízes chama-me com tua voz. Irá parecer-me que entra a tremer a luz do sol. Inflama-me, poente: faz-me perfume e chama Inflama-me, poente: faz-me perfume e chama; que o meu coração seja igual a ti, poente! descobre em mim o eterno, o que arde, o que ama, ...e o vento do esquecimento arraste o que é doente! Eu não voltarei Eu não voltarei. E a noite morna, serena, calada, adormecerá tudo, sob sua lua solitária. Meu corpo estará ausente, e pela janela alta entrará a brisa fresca a perguntar por minha alma. Ignoro se alguém me aguarda de ausência tão prolongada, ou beija a minha lembrança entre carícias e lágrimas. Mas haverá estrelas, flores e suspiros e esperanças, e amor nas alamedas, sob a sombra das ramagens. E tocará esse piano como nesta noite plácida, não havendo quem o escute, a pensar, nesta varanda.

naty
naty

Quem me dera um homem me falar um poema desses,kkkkkkkkkkkkkkkk

naty
naty

muito bom choreiiii

Identificação e contexto básico

Juan Ramón Jiménez Mantecón foi um poeta espanhol, nascido em Moguer, Huelva. É uma das figuras centrais da Geração de 1956, conhecida pela sua profunda renovação da poesia espanhola. Recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1956.

Infância e formação

Nascido numa família abastada, Jiménez estudou Direito na Universidade de Sevilha, mas rapidamente se dedicou à literatura. A sua juventude foi marcada por uma grande sensibilidade e por uma intensa vida interior. A sua formação foi largamente autodidata, com leituras que incluíam os poetas simbolistas franceses e a poesia espanhola clássica.

Percurso literário

O percurso literário de Juan Ramón Jiménez é marcado por uma constante busca pela perfeição e pela "poesia pura". Iniciou a sua carreira no âmbito do Modernismo espanhol, mas logo se afastou das suas manifestações mais superficiais para desenvolver um estilo próprio. A sua obra abrange um longo período, dividido em várias fases, cada uma com as suas características e aprofundamentos temáticos e formais.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras principais de Jiménez incluem "Ninfeas" (1900), "Almas de violeta" (1900), "Arias tristes" (1903), "Jardines lejanos" (1904), "Elegías" (1909-1910), "Poemas Mágicos y Reales" (1923), "Eternidades" (1918) e a monumental "Diario de un poeta recién casado" (1916), que marca uma viragem na sua obra. O seu estilo evoluiu de um lirismo inicial mais subjetivo e melancólico para uma poesia mais depurada, metafísica e transcendente, em busca da essência. Explora temas como a natureza (vista como reflexo do estado interior), o amor, a morte, a busca pela identidade e a própria natureza da poesia. A sua linguagem é musical, precisa, com um vocabulário cuidadosamente escolhido e uma grande densidade imagética.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Jiménez viveu num período de intensas transformações em Espanha, incluindo a perda das últimas colónias, a ditadura de Primo de Rivera e a Guerra Civil Espanhola. O seu exílio autoimposto nos Estados Unidos e em Porto Rico, após a Guerra Civil, marcou profundamente os seus últimos anos e a sua obra. Foi um dos expoentes máximos da chamada "Geração de 1956" ou "Geração de 14", um grupo de intelectuais e artistas que procuraram renovar a cultura espanhola.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida de Juan Ramón Jiménez foi intensamente marcada pelo seu casamento com Zenobia Camprubí, que foi sua companheira, colaboradora e tradutora. A sua saúde frágil e a sua natureza introspectiva levaram-no a uma vida relativamente reclusa, dedicada à poesia e à reflexão. O exílio foi um dos momentos mais difíceis da sua vida.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Embora tenha sido uma figura respeitada em Espanha durante a sua vida, o reconhecimento internacional consolidou-se com a atribuição do Prémio Nobel da Literatura em 1956. A sua obra tem sido objeto de estudo e admiração em todo o mundo, sendo considerado um dos poetas mais importantes da literatura em língua espanhola.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Jiménez foi influenciado por poetas como Garcilaso de la Vega, Fray Luis de León, os simbolistas franceses (Verlaine, Mallarmé) e Rubén Darío. O seu legado é imenso, tendo influenciado gerações de poetas em língua espanhola, que encontraram na sua "poesia pura" um modelo de depuração estética e de busca existencial. A sua obra é amplamente estudada e traduzida.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Jiménez é frequentemente interpretada como uma jornada espiritual e estética em busca da beleza absoluta e da transcendência. A sua "poesia pura" é vista como uma forma de apreender a realidade na sua essência mais íntima, ultrapassando as aparências.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos O seu "diário de um poeta recém-casado" é considerado um dos livros mais inovadores da poesia espanhola, misturando prosa e verso, e abordando a experiência do casamento e da viagem de uma forma inédita. A sua dedicação à "poesia pura" levou-o a uma autoexigência extrema, que moldou toda a sua produção literária.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Juan Ramón Jiménez faleceu em San Juan, Porto Rico. A sua memória é celebrada como a de um dos maiores poetas da literatura em língua espanhola, um mestre da palavra e um explorador das profundezas da alma humana e da própria poesia.