A Nossa Tragédia
E as conversam se prolongavam como os capítulos intermináveis de uma peça;
nem por um momento pensávamos no fim, fator de tudo que nos cerca,
nem por um instante pensávamos na despedida, convenção social comum,
nem por um segundo seguíamos o roteiro ou percebíamos o olhar de fúria do diretor
quando as cortinas se fechavam e os nossos lábios permaneciam selados, em êxtase.
Eu não queria deixar o meu papel e você, a mais sublime Medeia, sentia o que eu sentia;
como duas almas que se enlaçam, esquecendo o que é externo,
como dois motivos que se juntam, formando uma irredutível certeza,
como um único espírito que desperta em noites brandas, quando a sala está vazia,
deixando-nos a sós com o desvelo daquilo que somos.
Na ausência de público, surge uma promessa que intriga as poltronas vazias do teatro:
contato eterno, daqueles que não são sugados pelo buraco negro da sociedade,
contato de quem ama, de quem se importa, ouve, conversa e novamente se apaixona
apenas para poder aproveitar cada detalhe de uma presença querida.
O diretor urrou de alegria ao ver, entrando pela porta, fileiras de pessoas entretidas,
e nós não deixamos de contracenar o tango, ou qualquer outra dança fatal.
E as conversas se tornaram raras no momento em que a vida nos polarizou;
nem por um momento pensávamos no fim, até que ele aconteceu,
nem por um instante pensávamos na despedida, e nunca tivemos uma,
nem por um segundo seguíamos o roteiro, mas notávamos a alegria do diretor
quando a promessa morreu, em silêncio, fazendo do romance uma tragédia.
nem por um momento pensávamos no fim, fator de tudo que nos cerca,
nem por um instante pensávamos na despedida, convenção social comum,
nem por um segundo seguíamos o roteiro ou percebíamos o olhar de fúria do diretor
quando as cortinas se fechavam e os nossos lábios permaneciam selados, em êxtase.
Eu não queria deixar o meu papel e você, a mais sublime Medeia, sentia o que eu sentia;
como duas almas que se enlaçam, esquecendo o que é externo,
como dois motivos que se juntam, formando uma irredutível certeza,
como um único espírito que desperta em noites brandas, quando a sala está vazia,
deixando-nos a sós com o desvelo daquilo que somos.
Na ausência de público, surge uma promessa que intriga as poltronas vazias do teatro:
contato eterno, daqueles que não são sugados pelo buraco negro da sociedade,
contato de quem ama, de quem se importa, ouve, conversa e novamente se apaixona
apenas para poder aproveitar cada detalhe de uma presença querida.
O diretor urrou de alegria ao ver, entrando pela porta, fileiras de pessoas entretidas,
e nós não deixamos de contracenar o tango, ou qualquer outra dança fatal.
E as conversas se tornaram raras no momento em que a vida nos polarizou;
nem por um momento pensávamos no fim, até que ele aconteceu,
nem por um instante pensávamos na despedida, e nunca tivemos uma,
nem por um segundo seguíamos o roteiro, mas notávamos a alegria do diretor
quando a promessa morreu, em silêncio, fazendo do romance uma tragédia.
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