
Flávio Gomes da Silva
Canto versos sem me perguntar, sem procurar, sendo o quanto há de ser sem algemas
1968-09-09 Rio de Janeiro
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CARNE FRESCA
às pressas veio e sorriu
sem dó, foi-se, partiu
sangrou a carne fresca
e não olhou para trás
malvadeza, por que sorriu?
por que deixou tua presa
às moscas?
na agonia, no delírio
anêmico, amarelado
necessitado do sangue teu?
a sede do teu suor
por que me deste
de beber a tua seiva?
prometido foi seu corpo e alma
guilhotinada a promessa
encapuzada, com pressa
sem piedade
carne fresca sem idade
sem chão, prisioneiro
no tempo aprisionado
pisoteado pela saudade
por que me escolheu?
por que a mim?
por que não chocolates?
por que cortou minhas asas?
ralei-me a andar
não te achei
o deserto ressecou
meus olhos
não mais te vi
secou minha garganta
não mais gritei
secou meu coração
não mais te amei
amei-te muito
com o sorriso teu
teu, era teu
viu minha liberdade
e quis voar
me amarrando
ao pé da tua vontade
porque minha carne
era fresca
era doce
era inocente
era necessitada
de tudo
você era tudo
eu, o efêmero
descartado no tempo
levado no vento
no torto caminho
eu no tempo
tempo seco
rachava o chão
estéril nos ventos
levado ao ermo
se tu não viesses
não me farias um homem
não me farias um verme
não me farias um reles
não me farias um troço
estaria chovendo
as cores voltariam…
mas se te culpo
por que te culpo?
eu sou o culpado
fiz-me tudo isso
por ter amado
consentir
o teu sorriso
e ir às pressas
ao teu encontro
sem dó, foi-se, partiu
sangrou a carne fresca
e não olhou para trás
malvadeza, por que sorriu?
por que deixou tua presa
às moscas?
na agonia, no delírio
anêmico, amarelado
necessitado do sangue teu?
a sede do teu suor
por que me deste
de beber a tua seiva?
prometido foi seu corpo e alma
guilhotinada a promessa
encapuzada, com pressa
sem piedade
carne fresca sem idade
sem chão, prisioneiro
no tempo aprisionado
pisoteado pela saudade
por que me escolheu?
por que a mim?
por que não chocolates?
por que cortou minhas asas?
ralei-me a andar
não te achei
o deserto ressecou
meus olhos
não mais te vi
secou minha garganta
não mais gritei
secou meu coração
não mais te amei
amei-te muito
com o sorriso teu
teu, era teu
viu minha liberdade
e quis voar
me amarrando
ao pé da tua vontade
porque minha carne
era fresca
era doce
era inocente
era necessitada
de tudo
você era tudo
eu, o efêmero
descartado no tempo
levado no vento
no torto caminho
eu no tempo
tempo seco
rachava o chão
estéril nos ventos
levado ao ermo
se tu não viesses
não me farias um homem
não me farias um verme
não me farias um reles
não me farias um troço
estaria chovendo
as cores voltariam…
mas se te culpo
por que te culpo?
eu sou o culpado
fiz-me tudo isso
por ter amado
consentir
o teu sorriso
e ir às pressas
ao teu encontro
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