José João Murtinheira Branco

1954-01-27 Vila Franca de Xira
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MÁGOAS - I

 P odes sair, fugir, correr,

mas não te podes esconder,

por entre a minha sombra,

sempre difusa

Rasgas o tempo onde te guardas,

nos silêncios do teu querer,

fazes pequenas construções no meu afeto,

prendes nos meus, os teus olhos de musa

 

Por entre a aleivosia do momento,

posso fingir, que não quero ver,

injurias, cânticos, lamurias, feitiços de lua,

onde no rio do além, danças nua

Tenho na mão fechada, palavras

lançadas numa hora sem tempo.

Tenho a pele ferrada, por símbolos e juras que fizeste,

marcas de falácias e agruras no sentimento

 

Tenho o meu olhar, fixo nos teus olhos negros,

belos e inquietos de ansiedade,

profundos, unisses num olhar permanente

acorrentado ao meu coração,

por tanto querer um sim,

e eles dizerem que não

 

Podes sair, fugir, correr,

mas não te podes esconder

Na aparência que brincas e jogas,

no acaso, sem saber

envolta na interrogação tenebrosa

Se amanhã a manhã vier,

rompendo o dia sem que eu sinta

que a mereça.....

Então que o sol brilhe

e tudo me aconteça

 

Neste coração ardente,

em fogueira acesa,

de chama bruxuleante viva,

a crepitar.....


Procurando os teus olhos,

sem os encontrar

Incandescentes de angústia,

na chama da incerteza.

 

E esses teus olhos negros

ainda choram,

por entre dúvidas etéreas

desta paixão

Se um dia esses olhos

disserem sim....

Nunca mais por mim,

dizem que não.


João Murty

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