MÁGOAS - I
P odes sair, fugir, correr,
mas não te podes
esconder,
por entre a minha
sombra,
sempre difusa
Rasgas o tempo onde te guardas,
nos silêncios do teu
querer,
fazes pequenas
construções no meu afeto,
prendes nos meus, os
teus olhos de musa
Por entre a aleivosia
do momento,
posso fingir, que não
quero ver,
injurias, cânticos,
lamurias, feitiços de lua,
onde no rio do além, danças nua
Tenho na mão fechada, palavras
lançadas numa hora sem
tempo.
Tenho a pele ferrada, por
símbolos e juras que fizeste,
marcas de falácias e
agruras no sentimento
Tenho o meu olhar, fixo
nos teus olhos negros,
belos e inquietos de
ansiedade,
profundos, unisses num
olhar permanente
acorrentado ao meu
coração,
por tanto querer um sim,
e eles dizerem que não
Podes sair, fugir,
correr,
mas não te podes
esconder
Na aparência que
brincas e jogas,
no acaso, sem saber
envolta na interrogação tenebrosa
Se amanhã a manhã vier,
rompendo o dia sem que
eu sinta
que a mereça.....
Então que o sol brilhe
e tudo me aconteça
Neste coração ardente,
em fogueira acesa,
de chama bruxuleante
viva,
a crepitar.....
Procurando os teus olhos,
sem os encontrar
Incandescentes de
angústia,
na chama da incerteza.
E esses teus olhos
negros
ainda choram,
por entre dúvidas
etéreas
desta paixão
Se um dia esses olhos
disserem sim....
Nunca mais por mim,
dizem que não.
João Murty
Escritas.org