Isabel Pires

Isabel Pires

Amar o abismo da descoberta. Sem cair.

1964-01-30 Lisboa
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estremecimento

o  amor sabe sempre a novo barrado de familiaridade

um estremecimento

como o verão que há dentro do outono ou aquela brisa que há dentro do verão

braços de quente e luz a inundar o peito

como se fora o brotar de flores num campo seco

os lábios a chegarem-se aos teus

uma inquietação

a pele a vestir-se de água

um sorriso    um grito    murmúrios

em chão de silêncio

 

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