Augusto dos Anjos

Augusto dos Anjos

Augusto dos Anjos foi um poeta brasileiro, considerado um dos maiores vultos da poesia em língua portuguesa. Sua obra é marcada por um profundo pessimismo, temas como a morte, a decomposição e o materialismo científico. Utilizou uma linguagem rigorosa e um vocabulário erudito, muitas vezes associado à ciência de sua época, o que lhe conferiu um estilo singular e inovador para o seu tempo. Apesar de ter publicado um único livro em vida, "Eu", sua influência na poesia brasileira é inegável, antecipando muitas das preocupações e experimentações que marcariam o modernismo.

1884-04-20 Sapé
1914-11-12 Leopoldina
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Eterna Mágoa

O homem por sobre quem caiu a praga
Da tristeza do Mundo, o homem que é triste
Para todos os séculos existe
E nunca mais o seu pesar se apaga!

Não crê em nada, pois, nada há que traga
Consolo à Mágoa, a que só ele assiste.
Quer resistir, e quanto mais resiste
Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga.

Sabe que sofre, mas o que não sabe
E que essa mágoa infinda assim não cabe
Na sua vida, é que essa mágoa infinda

Transpõe a vida do seu corpo inerme;
E quando esse homem se transforma em verme
É essa mágoa que o acompanha ainda!

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Prémios e Movimentos

Simbolismo
-
mizumonoo
No 10º verso o correto é: "É que essa mágoa infinda assim, não cabe". O "E" tem acento e há uma vírgula após a palavra "assim".
14/fevereiro/2025
Ana
O esse poema quis retratar?
12/abril/2022

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