Felipe d’Oliveira

Felipe d’Oliveira é um poeta português contemporâneo, cuja obra se distingue pela exploração de temas existenciais, pela reflexão sobre o tempo e a memória, e por uma linguagem poética cuidada e evocativa. A sua poesia, marcada por um tom introspectivo e por uma busca constante pela verdade e pela beleza, dialoga com a tradição literária, mas propõe uma abordagem original e pessoal às questões da existência humana e da criação artística.

1890-08-23 Santa Maria
1933-02-17 Madrid
10787
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Encruzamento de Linhas

Núcleo de convergência no bojo da noite oval.
Lanterna verde
(amêndoa fosforescente
dentro da casca carbonizada.)
Longitudinal, centrífugo,
o trem racha em duas metades
a espessura do escuro
e, cuspindo pela boca da chaminé
as estrelas inúteis à propulsão,
atira-se desenfreado
nos trilhos livres.

Mas se o maquinista fosse daltônico
a locomotiva teria parado.


Publicado no livro Lanterna verde (1926).

In: D'OLIVEIRA, Felippe. Obra completa. Atual. e org. Lígia Militz da Costa, Maria Eunice Moreira e Pedro Brum Santos. Porto Alegre: IEL; Santa Maria: UFSM, 1990. p.65
1635
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Rui Almeida
Adoro este poema.. o início é absolutamente original: núcleo de convergência ...
25/dezembro/2021
Rui
Adoro este poema.
06/agosto/2017

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