

Martins Fontes
Martins Fontes foi um poeta, tradutor e editor brasileiro, com uma obra que se destaca pela sua delicadeza lírica e pela exploração de temas universais como o amor, a saudade e a efemeridade da vida. A sua poesia, embora por vezes melancólica, revela uma profunda sensibilidade e uma busca pela beleza nas coisas simples. Além da sua produção poética, Fontes teve um papel relevante no panorama literário como tradutor de obras importantes e como editor, contribuindo para a divulgação de autores e para o enriquecimento da cultura literária no Brasil. A sua dedicação às letras marcou a sua trajetória, deixando um legado de sensibilidade e rigor.
1884-06-23 Santos
1937-06-25 São Paulo, SP
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Otelo
Quem minha angústia suportar, prefira
a morte, redentora, à desventura
de não poder, nas vascas da loucura,
distinguir a verdade da mentira.
Infrene dúvida, implacável ira,
esta que me alucina e me tortura!
— Ter ciúmes da luz, formosa e pura,
do chão, da sombra e do ar que se respira!
Invejo a veste que te esconde! a espuma
que, beijando teu corpo, linha a linha,
toda do teu aroma se perfuma!
Amo! E o delírio desta dor mesquinha,
faz que eu deseje ser tu mesma, em suma,
para ter a certeza de que és minha!
Publicado no livro Verão (1917).
In: FONTES, Martins. Poesia. Org. Cassiano Ricardo. Rio de Janeiro: Agir, 1959. p.39-40. (Nossos clássicos, 40
a morte, redentora, à desventura
de não poder, nas vascas da loucura,
distinguir a verdade da mentira.
Infrene dúvida, implacável ira,
esta que me alucina e me tortura!
— Ter ciúmes da luz, formosa e pura,
do chão, da sombra e do ar que se respira!
Invejo a veste que te esconde! a espuma
que, beijando teu corpo, linha a linha,
toda do teu aroma se perfuma!
Amo! E o delírio desta dor mesquinha,
faz que eu deseje ser tu mesma, em suma,
para ter a certeza de que és minha!
Publicado no livro Verão (1917).
In: FONTES, Martins. Poesia. Org. Cassiano Ricardo. Rio de Janeiro: Agir, 1959. p.39-40. (Nossos clássicos, 40
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