Bernardino Lopes

Bernardino Lopes

Bernardino Lopes foi um poeta português associado ao movimento neorrealista. A sua obra, marcada por uma forte componente social e de intervenção, reflete as preocupações e as lutas do povo trabalhador. A poesia de Lopes caracteriza-se pela linguagem direta, pela expressividade das imagens e por um tom de denúncia e esperança. Explorou temas como a condição operária, a injustiça social, a resistência e a busca por um futuro mais digno, consolidando-se como uma voz autêntica da poesia social portuguesa.

1859-01-01 Rio de Janeiro
1916-01-01 Rio de Janeiro
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Mameluca

A que aí anda, esguia mameluca,
De olhos de amêndoa e tranças azeviche,
Tem uns ares fidalgos da Tijuca
E petulantes trajos a Niniche.

É justo, é natural que ela capriche
Em mostrar o cabelo, a espádua, a nuca
E essas pálpebras roxas de derviche,
Como um goivo aromal que se machuca.

Abre às soalheiras, em sanguíneo estofo,
A escandalosa e original papoula
Do pára-sol clownesco, álacre e fofo;

E o lírio do alto, quando espia o glabro
Rosto oval da cabocla, abre a caçoula,
E a via-láctea acende em candelabro!


Publicado no livro Brasões (1895).

In: LOPES, B. Poesias completas. Pref. Andrade Muricy. Rio de Janeiro: Z. Valverde, 1945. v.
1715
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