
Carlos Nejar
Carlos Nejar é um poeta brasileiro de renome, cuja obra se distingue pela intensidade lírica e pela exploração de temas universais como o amor, a morte, o tempo e a identidade. A sua poesia é marcada por uma linguagem rica e expressiva, que transita entre o lirismo confessional e a reflexão filosófica. Ao longo de sua carreira, Nejar consolidou-se como uma voz importante na literatura brasileira contemporânea, reconhecido pela profundidade de sua visão e pela maestria formal.
1939-01-11 Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
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O Homem e as Coisas
As coisas não se submetem
à nossa vestidura;
na máscara que somos
as coisas nos conjuram.
Por que não escutá-las,
tão sáfaras e puras,
como flores ou larvas,
estranhas criaturas?
Por que desprezá-las
no sopro que as transmuda
com os olhos de favas,
fechados na espessura?
Por que não escutá-las
na linguagem mais dura,
comprimidas as asas
na testa que as vincula?
Despimos a armadura
e a viseira diurna;
a linguagem resvala
onde as coisas se apuram.
Recônditas e escravas
na cava da palavra,
são fiandeiras escuras
ou áspides sequiosas.
As coisas não se submetem
à nossa vestidura.
Publicado no livro Ordenações (1971). Poema integrante da série Ordenação Quinta: Formal de Partilha.
In: NEJAR, Carlos. Obra poética I. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980. p.329-330. (Poiesis
à nossa vestidura;
na máscara que somos
as coisas nos conjuram.
Por que não escutá-las,
tão sáfaras e puras,
como flores ou larvas,
estranhas criaturas?
Por que desprezá-las
no sopro que as transmuda
com os olhos de favas,
fechados na espessura?
Por que não escutá-las
na linguagem mais dura,
comprimidas as asas
na testa que as vincula?
Despimos a armadura
e a viseira diurna;
a linguagem resvala
onde as coisas se apuram.
Recônditas e escravas
na cava da palavra,
são fiandeiras escuras
ou áspides sequiosas.
As coisas não se submetem
à nossa vestidura.
Publicado no livro Ordenações (1971). Poema integrante da série Ordenação Quinta: Formal de Partilha.
In: NEJAR, Carlos. Obra poética I. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980. p.329-330. (Poiesis
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