

Renata Pallottini
Renata Pallottini foi uma poeta, dramaturga, contista e tradutora brasileira, uma das vozes mais significativas da poesia contemporânea. Sua obra é marcada pela intensidade lírica, pela reflexão sobre a condição humana, o amor, a morte e a passagem do tempo, com uma linguagem ora coloquial, ora erudita, mas sempre envolvente. Ela explorou diversas formas poéticas, do verso livre a estruturas mais rígidas, e sua escrita frequentemente transita entre o pessoal e o universal, o íntimo e o social. Pallottini também atuou como tradutora de importantes obras literárias, enriquecendo o panorama cultural brasileiro com seu talento e sensibilidade.
1931-01-20 São Paulo
2021-07-08 São Paulo
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Macunaíma
(...)
Meu filho, cresce ligeiro,
para ir pra São Paulo
e ganhar dinheiro.
Adeus mato cheiroso orvalho da manhã
adeus água de prata cascata
adeus ramo de arruda hortelã
a mata está a pique de acabar
jandaia buriti jussara aracuã
cresce depressa pra dandar
meu filho
pra ganhar
vintém
cresce depressa e entrega a mata
ao invasor
meu filho pra ganhar
vintém
Quanta floresta! É ouro verde na divisa
brasileiro vai ganhar
vintém
cresce depressa e sem caráter brasileiro
e vende a mata
pra ganhar
vintém
Na cidade das máquinas doente
Macunaíma sobrevive e pensa:
nas ruas, cipoal de muita gente,
só o ato de brincar
é que compensa.
Para a tristeza, o amor;
para a preguiça
o amor, e para a febre
mordidas de saúva da paixão.
Muita saudade
e muita pouca ação
os males do Brasil
são.
Macunaíma, audaz tumucumaque,
menino inventador, herói de araque,
lá vai ele, criador de boi-bumbá;
voltando para a terra antes que acabe,
para o seu galho em antes que desabe,
para as florestas
cada vez mais menos,
para as montanhas, já
montes de Vênus,
para os campos,
agora mais pequenos...
Macunaíma encolhe igual sanfona
na charanga brasílico-amazona.
(...)
In: PALLOTTINI, Renata. Cantar meu povo. São Paulo: Massao Ohno, 198
Meu filho, cresce ligeiro,
para ir pra São Paulo
e ganhar dinheiro.
Adeus mato cheiroso orvalho da manhã
adeus água de prata cascata
adeus ramo de arruda hortelã
a mata está a pique de acabar
jandaia buriti jussara aracuã
cresce depressa pra dandar
meu filho
pra ganhar
vintém
cresce depressa e entrega a mata
ao invasor
meu filho pra ganhar
vintém
Quanta floresta! É ouro verde na divisa
brasileiro vai ganhar
vintém
cresce depressa e sem caráter brasileiro
e vende a mata
pra ganhar
vintém
Na cidade das máquinas doente
Macunaíma sobrevive e pensa:
nas ruas, cipoal de muita gente,
só o ato de brincar
é que compensa.
Para a tristeza, o amor;
para a preguiça
o amor, e para a febre
mordidas de saúva da paixão.
Muita saudade
e muita pouca ação
os males do Brasil
são.
Macunaíma, audaz tumucumaque,
menino inventador, herói de araque,
lá vai ele, criador de boi-bumbá;
voltando para a terra antes que acabe,
para o seu galho em antes que desabe,
para as florestas
cada vez mais menos,
para as montanhas, já
montes de Vênus,
para os campos,
agora mais pequenos...
Macunaíma encolhe igual sanfona
na charanga brasílico-amazona.
(...)
In: PALLOTTINI, Renata. Cantar meu povo. São Paulo: Massao Ohno, 198
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