

Fernando Couto
Fernando Pessoa é amplamente reconhecido como um dos maiores poetas da língua portuguesa e uma figura central do modernismo. Destacou-se pela criação de múltiplos heterónimos, cada um com personalidade, estilo e obra próprios, o que o tornou um poeta multifacetado e inovador. A sua obra explora temas profundos como a identidade, a fugacidade do tempo, a melancolia e a busca existencial. Pessoa deixou um legado literário vasto e complexo, com uma produção que abrange poesia, prosa e crítica. A sua obra, muitas vezes publicada postumamente, continua a fascinar leitores e críticos pela sua originalidade, profundidade filosófica e mestria formal, consolidando-o como um dos poetas mais influentes do século XX.
1969-08-02 Espinho
2013 Maputo, Moçambique
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Na agreste paisagem
Na agreste paisagem de dunas
expira a vastidão da savana.
No areal se sepulta o choro do mar
em seu clamor e seu soluço
e a fúria do vento largo
veste de saliva os arbustos sobreviventes.
Mangal de raizes nuas
doí-me o desespero dos teus dedos
ainda longos e cravados à terra.
Na orla do tempo, as aves marinhas
contemplam os despojos com olhos tranquilos
e nos conturbamo-nos à vista
dos despojos e do jeito dos pássaros.
Aqui, só nos vemos
a delgada fímbria do encontro
da morte e da vida
e conturbamo-nos.
E, amando-nos,
avivamos o traço esguio e sinuoso
dessa fímbria de encontro de morte e da vida
expira a vastidão da savana.
No areal se sepulta o choro do mar
em seu clamor e seu soluço
e a fúria do vento largo
veste de saliva os arbustos sobreviventes.
Mangal de raizes nuas
doí-me o desespero dos teus dedos
ainda longos e cravados à terra.
Na orla do tempo, as aves marinhas
contemplam os despojos com olhos tranquilos
e nos conturbamo-nos à vista
dos despojos e do jeito dos pássaros.
Aqui, só nos vemos
a delgada fímbria do encontro
da morte e da vida
e conturbamo-nos.
E, amando-nos,
avivamos o traço esguio e sinuoso
dessa fímbria de encontro de morte e da vida
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