António Gancho

António Gancho

António Gancho é um poeta cuja obra se distingue pela exploração de uma linguagem densa e enigmática, muitas vezes imersa em paisagens interiores e reflexões existenciais. A sua poesia, embora por vezes hermética, revela uma profunda atenção à palavra e à sua capacidade de evocar realidades subjacentes e sensações. A ligação a temas como a memória, o tempo e a fragilidade humana é recorrente, conferindo à sua escrita uma qualidade meditativa e perturbadora. A sua figura é central no panorama da poesia portuguesa contemporânea, reconhecido pela originalidade e pela força da sua expressão.

1940-01-01 Évora
2006-01-02 Sintra
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Desenham-se no céu

Desenham-se no céu os números da solidão
por onde James Joyce conseguiu escrever o romance
Ulisses há-de sê-lo bem o meu coração
eu, a minha solidão, o meu transe

A chaminé na cidade deita o
fumo da minha angústia
o meu desespero projecta a minha intoxicação
Ulisses, cidade de Dublin, eu,
Lisboa, minha cidade
eu, Lisboa, a chaminé, o meu coração
O fumo sobe que sobe sobe que sobe e enche o ar
cidade de Dublin, Lisboa também te vou cantar
Grande nostalgia do teu néon luminoso a sentir-se
dentro de mim e a dizer-se que já não posso

Aqui a enorme cidade aqui a tentacular
o meu crime é de estudar o céu que me invade
e onde arranha o arranha-céu
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