
Raimundo Bento Sotero
Raimundo Bento Sotero foi um poeta brasileiro cujas obras exploram a musicalidade da linguagem e a riqueza das paisagens do Nordeste. A sua poesia, muitas vezes ligada à cultura popular e às tradições regionais, revela um olhar sensível sobre o cotidiano, a fé e a beleza encontrada nas coisas simples. Com uma escrita que valoriza o ritmo e a sonoridade, Sotero deixou um legado de poemas que celebram a identidade nordestina e a experiência humana com lirismo e autenticidade.
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Tapera
Tornei à casa onde morei um dia
E, no espanto mortal de quem se corta,
Eu observava aquela casa torta,
Sem um traço que fosse da alegria.
Ua ventura, meu Deus, não existia.
Só os fantasmas no vão de cada porta,
Em cada canto uma lembrança morta.
Naquela casa nada mais havia!
Cada buraco aberto na parede
Pelo tempo feroz, cruel, adrede,
Semelhava-se a um meu antepassado.
Todos eles me olhavam gravemente,
Pois sabiam que o tempo, indiferente,
Esculpia também o meu passado.
E, no espanto mortal de quem se corta,
Eu observava aquela casa torta,
Sem um traço que fosse da alegria.
Ua ventura, meu Deus, não existia.
Só os fantasmas no vão de cada porta,
Em cada canto uma lembrança morta.
Naquela casa nada mais havia!
Cada buraco aberto na parede
Pelo tempo feroz, cruel, adrede,
Semelhava-se a um meu antepassado.
Todos eles me olhavam gravemente,
Pois sabiam que o tempo, indiferente,
Esculpia também o meu passado.
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