Alberto de Serpa

Alberto de Serpa

Alberto de Serpa foi um poeta português cuja obra se insere no contexto do Neorrealismo e da poesia social. A sua escrita é marcada por um profundo compromisso com a realidade social e política do seu tempo, refletindo as lutas e as aspirações do povo. Com uma linguagem direta e um tom interventivo, Serpa procurou dar voz aos marginalizados e denunciar as injustiças. O seu legado poético é o de um artista engajado, cuja poesia se tornou um instrumento de intervenção e de esperança na construção de um mundo mais justo. A sua obra é um testemunho da força transformadora da palavra poética.

1906-12-12 Porto
1992-10-08 Lisboa, Portugal
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Riqueza

Por parques e praças,
Ruas e travessas,
Tu, meu olhar, caças
A vida. E tropeças.

Uma gargalhada
Vem dum par contente.
Guarda-a bem guardada,
Mas caminha em frente.

Surgem-te sorrisos
Dum e de outro lado.
Não faças juízos
Rápidos. Cuidado!

Uma face grave
Nada te revela?
Talvez a dor cave,
Só mais tarde, nela.

Num choro, num grito,
Pressentes a dor?
E quedas, aflito.
Seque, por favor!

Seque, bem aberto
Para cada canto!
Olha o desconcerto
Que parece tanto!

Corre, olhar, em roda!
O que me intimida?
A vida? Só toda
Pode amar-se, a vida.

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