Natércia Freire

Natércia Freire

Natércia Freire foi uma figura proeminente na poesia portuguesa contemporânea. A sua obra destaca-se pela profundidade lírica e pela exploração de temas universais como o amor, a identidade e a condição humana. Com uma linguagem cuidada e um estilo evocativo, a autora construiu um corpo poético singular que dialoga com a tradição e a modernidade literária.

1920-01-01 Benavente
2004-12-17 Lisboa
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A morte de calar

As viagens que sou
prenderam-se em redomasAo corpo das palavras. À morte de
calar.Do alfabeto meu ignoro as cristalinasFormas de
aladas letras nestes versos finais.São fantasmas de
sol. São fantasmas de sedeQue chegam alta noite
para nenhum lugar.Decifro nas entranhas das
trevas migradorasO solstício da vida além da morte
clara.Mas quem me vem cegar, com setas voadorasNega-me
agora a paz das secretas paisagens.Meus Irmãos
de astronaves, guiadas por um morto,Que me
esperam e estão, que me cantam e falam.Que na vazia
Cruz crucificam meu corpoE abandonam a flor, mesmo
a meio da sala.À janela rasgada, para as
cinzentas águas,Encostam-me, sem olhos, e deixam-me
ficar.Não tenho nada mais a escrever sobre as ondas.E
mesmo que tivesse, ninguém leria o mar.
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