
Gastão de Holanda
Gastão de Holanda foi um poeta português, reconhecido pela sua contribuição para a lírica moderna. A sua obra destaca-se pela exploração de temas como a efemeridade da vida, a passagem do tempo e a busca por um sentido existencial, frequentemente enraizada numa profunda reflexão sobre a condição humana. Através de uma linguagem cuidada e de um estilo que oscila entre o lirismo e a melancolia, construiu um universo poético singular, que dialoga com as tradições literárias, mas que também aponta para novas sensibilidades estéticas.
1919-02-11 Recife
1997-01-01 Rio de Janeiro
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Nota biográfica
Na leitura do abismo e seus açores
Teci a minha vida, entre moinhos
Atirei-me à ventura dos caminhos
E neles cultivei as mores dores.
Jamais ultrapassei os domadores
De outra profissão senão de espinhos,
Não apurei o faro dos focinhos
Mas despertei o mito dos amores.
Embora da maldade dos tiranos
Compusesse uma ópera canina,
Eu tive a recompensa do teu ânus.
Tesão com castidade não combina
Nem fodas retardadas pelos anos:
Ser puto de mulher, eis minha sina.
Teci a minha vida, entre moinhos
Atirei-me à ventura dos caminhos
E neles cultivei as mores dores.
Jamais ultrapassei os domadores
De outra profissão senão de espinhos,
Não apurei o faro dos focinhos
Mas despertei o mito dos amores.
Embora da maldade dos tiranos
Compusesse uma ópera canina,
Eu tive a recompensa do teu ânus.
Tesão com castidade não combina
Nem fodas retardadas pelos anos:
Ser puto de mulher, eis minha sina.
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