

Ezra Pound
Ezra Pound foi um poeta, crítico e editor americano, figura central na literatura do século XX, conhecido por seu papel fundamental no desenvolvimento do Modernismo. Sua obra, complexa e multifacetada, influenciou gerações de escritores com sua busca por uma linguagem concisa e inovadora, além de sua profunda erudição e experimentação formal. Pound foi um dos principais expoentes do movimento Imagista e, posteriormente, um defensor do ideograma chinês como modelo para a poesia. Além de sua produção poética, Pound foi um mentor e incentivador de muitos artistas e escritores, desempenhando um papel crucial na divulgação de novas vozes literárias e na articulação de movimentos artísticos. Sua vida foi marcada por controvérsias, especialmente devido às suas simpatias fascistas e antissemitismo, que o levaram a um longo período de reclusão e instabilidade mental. Apesar de seu legado polêmico, sua influência na poesia moderna é inegável.
SAUDAÇÃO SEGUNDA
porque eu acabara de chegar do interior;
Eu estava atrasado vinte anos
e por isso encontrastes um público preparado.
Não vos renego,
Não renegueis vossa progênie.
Aqui estão eles sem rebuscados artifícios,
Aqui estão eles sem nada de arcaico.
Observai a irritação geral:
Então é isto, dizem eles, o contra-senso
que esperamos dos poetas?
Onde está o Pitoresco?
Onde a vertigem da emoção?
Não ! O primeiro livro dele era melhor.
Pobre Coitado ! perdeu as ilusões.
Ide, pequenas canções nuas e impudentes,
Ide com um pé ligeiro !
(Ou com dois pés ligeiros, se quiserdes !)
Ide e dançai despudoradamente !
Ide com travessuras impertinentes !
Comprimentai os graves, os indigestos,
Saudai-os pondo a língua para fora.
Aqui estão vossos guizos, vossos confetti.
Ide ! rejuvenescei as coisas !
Rejuvenescei até The Spectator.
Ide com vaias e assobios !
Dançai a dança do phallus
contai anedotas de Cibele !
Falai da conduta indecorosa dos Deuses !
Levantai as saias das pudicas,
falai de seus joelhos e tornozelos.
Mas sobretudo, ide às pessoas práticas -
Dizei-lhes que não trabalhais
e que viverei eternamente.
(Tradução de Mário Faustino)
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