

Adailton Medeiros
Adailton Medeiros é um poeta cuja obra se insere no panorama da poesia contemporânea em língua portuguesa, com um olhar atento às complexidades da existência e às nuances do cotidiano. Sua poesia é marcada por uma linguagem precisa e, por vezes, fragmentada, que explora temas como a memória, a identidade, a relação com o espaço e a busca por sentido em um mundo em constante transformação. Medeiros frequentemente utiliza o verso livre e uma abordagem imagética que convida à reflexão. A obra de Adailton Medeiros reflete uma sensibilidade para os detalhes aparentemente banais da vida, elevando-os a um patamar de significado existencial. Sua escrita, embora por vezes densa e introspectiva, busca estabelecer um diálogo com o leitor, convidando-o a partilhar de uma experiência poética que é ao mesmo tempo pessoal e universal. A exploração de novas formas de expressão poética é uma constante em sua trajetória, posicionando-o como uma voz relevante na literatura contemporânea.
Auto-retrato
sinto asco
tenho ódio
descubro que não sou mais menino
Aos 50 anos (hoje — 16 / 7 / 88 (câncer) sábado — e sempre
com medo olhando para trás e para os lados)
questiono-me (lagarto sem rabo):
— como deve ser bom
nascer crescer envelhecer e morrer
Diante do espelho grande na porta
(o nascido no jirau: meu nobre catre) choro-me:
feto asno velhote pétreo ser incomunicável
sem qualquer detalhe que eu goste
(Um espermatozóide feio e raquítico)
Como nas cartas do tarô onde me leio
— eis-me aqui espelho grande quebrado ao meio
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