
Maria Ângela Alvim
Maria Ângela Alvim é uma poeta cujas palavras exploram a profundidade da experiência humana com uma sensibilidade ímpar. Sua obra é marcada por uma introspeção lírica que aborda temas universais como o amor, a perda e a busca por sentido, utilizando uma linguagem rica em imagens e musicalidade. O estilo de Alvim caracteriza-se pela delicadeza e pela capacidade de evocar emoções complexas através de versos concisos e evocativos. Sua poesia convida o leitor a refletir sobre as nuances da vida e os sentimentos que moldam a existência, consolidando-a como uma voz singular no panorama literário contemporâneo.
1959
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A volta
Tão só em prosseguir busquei sentido
e o caminho é sem regresso a quem caminha
por nenhum instinto além reconhecido.
Espaço meu ou de loucura, era sozinha.
Vinha de não sei onde, lar perdido
de mim mesma, ou infância. Vinha
quando apenas vi que recobrara o ido
antigo estar em tal estância, minha.
E tudo que abandonei, o a que deu termo
muda solidão pairando em grito ermo,
largo deserto visto em falso medo,
tudo que abandonei, faz companhia.
Enquanto, indo, um ocaso brando me assistia
eis que amanheço em mim, volto a ser cedo.
e o caminho é sem regresso a quem caminha
por nenhum instinto além reconhecido.
Espaço meu ou de loucura, era sozinha.
Vinha de não sei onde, lar perdido
de mim mesma, ou infância. Vinha
quando apenas vi que recobrara o ido
antigo estar em tal estância, minha.
E tudo que abandonei, o a que deu termo
muda solidão pairando em grito ermo,
largo deserto visto em falso medo,
tudo que abandonei, faz companhia.
Enquanto, indo, um ocaso brando me assistia
eis que amanheço em mim, volto a ser cedo.
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