

António Ramos Rosa
António Ramos Rosa foi um dos mais influentes poetas portugueses do século XX, conhecido pela sua poesia densa, reflexiva e profundamente ligada à condição humana e à linguagem. A sua obra é marcada por uma busca constante pela expressão autêntica, explorando temas como a existência, a morte, o tempo e a própria poesia. A sua escrita evoluiu ao longo de décadas, mantendo uma coerência temática e estilística, mas sempre aberta a novas explorações formais e lexicais. É considerado um pilar da poesia contemporânea em língua portuguesa.
1924-10-17 Faro
2013-09-23 Lisboa
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24. Alguém o Disse — o Jorro
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Alguém o disse — o jorro
das pernas brancas e as jarras azuis
exuberância imprópria de ser pobre.
Mas há uma florescência vivaz e límpida
na pobreza essencial contra o sentido
da autoridade — isto é
uma arbitrária terra que é a terra
invisível visível pobre e rica.
Terra serás salva serás terra
e se não o fores aqui se nunca fores
que sejas negação e negação
e tristeza e pobreza e nunca aberta.
Alguém o disse — o jorro
das pernas brancas e as jarras azuis
exuberância imprópria de ser pobre.
Mas há uma florescência vivaz e límpida
na pobreza essencial contra o sentido
da autoridade — isto é
uma arbitrária terra que é a terra
invisível visível pobre e rica.
Terra serás salva serás terra
e se não o fores aqui se nunca fores
que sejas negação e negação
e tristeza e pobreza e nunca aberta.
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