

Edmundo de Bettencourt
Edmundo de Bettencourt foi um poeta e contista português, natural da Madeira, cuja obra se caracterizou por uma forte ligação à sua terra natal e pelas influências do saudosismo e do simbolismo. A sua escrita, frequentemente marcada por um tom lírico e melancólico, explorava temas como a natureza, a saudade, o amor e a identidade madeirense. Foi uma figura importante na divulgação da cultura insular através da literatura, contribuindo com a sua sensibilidade e o seu olhar atento para a paisagem e os costumes da ilha. A sua poesia evoca a beleza e a introspeção, deixando um legado de valor inestimável para a literatura madeirense e portuguesa.
1899-08-07 Funchal
1973-02-01 Lisboa
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Ondulação
O luar ondula
fluindo e refluindo
para não acabar a maré cheia
nesta praia onde
ponderável eu me encontro indo
— o pensamento em rumos ignorados
e ao sabor dos presságios. . .
Em breve, à minha volta no areal,
esperanças, de branco, vaporosas,
chorando alto naufrágios
à vista da magia de seus mundos,
com suas lágrimas,
quais enxadas na terra, poderosas,
cavarão sulcos fundos.
E elas ali se hão de enterrar
quando o luar fugir...
Mas com elas enterrarei os meus insultos
à minha nobre angústia de vibrar,
à minha vã desgraça de sentir!
fluindo e refluindo
para não acabar a maré cheia
nesta praia onde
ponderável eu me encontro indo
— o pensamento em rumos ignorados
e ao sabor dos presságios. . .
Em breve, à minha volta no areal,
esperanças, de branco, vaporosas,
chorando alto naufrágios
à vista da magia de seus mundos,
com suas lágrimas,
quais enxadas na terra, poderosas,
cavarão sulcos fundos.
E elas ali se hão de enterrar
quando o luar fugir...
Mas com elas enterrarei os meus insultos
à minha nobre angústia de vibrar,
à minha vã desgraça de sentir!
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