
Guimarães Passos
Guimarães Passos é um poeta cuja obra é reconhecida pela sua elegância formal e pela profundidade temática, abordando com sensibilidade questões como o amor, a efemeridade da vida, a memória e a busca por um sentido transcendente. A sua poesia caracteriza-se por uma linguagem cuidada, musicalidade e uma forte carga imagética, que evocam paisagens interiores e exteriores com subtileza e rigor. Com uma voz poética que oscila entre o lírico e o contemplativo, Passos estabelece um diálogo íntimo com o leitor, convidando à reflexão sobre a condição humana e a beleza contida nos momentos fugazes. A sua obra, embora inserida num contexto mais clássico de formas poéticas, revela uma modernidade na forma como explora as complexidades da alma.
1867-03-22 Maceió
1909-09-09 Paris
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Pubescência
Ei-la! Chega ao jardim, que estava triste,
Porque a sua alegria ausente estava,
E ela, que em vê-lo dantes se alegrava,
Agora a toda a tentação resiste.
Seria outra alma, pensa, que a animava ?
Por que um desejo que a persegue insiste?
Qualquer cousa que ignora, mas que existe,
Pulsa-lhe ao coração que não pulsava.
Triste cismando segue, e em frente à fonte:
— Um sátiro, de cuja boca escorre
Um fino fio dágua transparente,
Ri-se dos cornos que lhe vê na fronte,
Os lábios cola aos dele, e porque morre
De sede, bebe alucinadamente...
Porque a sua alegria ausente estava,
E ela, que em vê-lo dantes se alegrava,
Agora a toda a tentação resiste.
Seria outra alma, pensa, que a animava ?
Por que um desejo que a persegue insiste?
Qualquer cousa que ignora, mas que existe,
Pulsa-lhe ao coração que não pulsava.
Triste cismando segue, e em frente à fonte:
— Um sátiro, de cuja boca escorre
Um fino fio dágua transparente,
Ri-se dos cornos que lhe vê na fronte,
Os lábios cola aos dele, e porque morre
De sede, bebe alucinadamente...
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