

Antero de Quental
Antero de Quental foi um dos mais importantes poetas e filósofos portugueses do século XIX. A sua obra, marcada por uma profunda crise existencial e por uma intensa busca metafísica, reflete as angústias de um espírito inquieto perante os mistérios da vida, da fé e da razão. Poeta do saudosismo e do misticismo, a sua poesia é caracterizada pela força da expressão, pela profundidade intelectual e pela melancolia, explorando temas como a morte, a eternidade, a solidão e a busca de Deus. Antero de Quental é uma figura central na transição do Romantismo para o Positivismo em Portugal, deixando um legado literário e filosófico de grande relevância.
1842-04-18 Ponta Delgada
1891-09-11 Ponta Delgada
161391
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Pequenina
Eu bem
sei que te chamam pequenina
É ténue como o véu solto na dança
Que és no juízo apenas a criança,
Pouco mais , nos vestidos , que a menina...
Que és o regato de água mansa e fina,
A folhinha do til que se balança,
O peito que em correndo logo cansa,
A fronte que ao sofrer logo se inclina...
Mas, filha, lá nos montes onde andei
Tanto me enchi de angústia e de receio
Ouvindo do infinito os fundos ecos,
Que não quero imperar nem já ser rei
Senão tendo meus reinos em teu seio
E súbditos, criança, em teus bonecos.
sei que te chamam pequenina
É ténue como o véu solto na dança
Que és no juízo apenas a criança,
Pouco mais , nos vestidos , que a menina...
Que és o regato de água mansa e fina,
A folhinha do til que se balança,
O peito que em correndo logo cansa,
A fronte que ao sofrer logo se inclina...
Mas, filha, lá nos montes onde andei
Tanto me enchi de angústia e de receio
Ouvindo do infinito os fundos ecos,
Que não quero imperar nem já ser rei
Senão tendo meus reinos em teu seio
E súbditos, criança, em teus bonecos.
1818
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