Paulo Henrique Góes Souza

Paulo Henrique Góes Souza é um poeta cuja obra se insere no panorama da poesia contemporânea em língua portuguesa. A sua escrita explora frequentemente as profundezas da experiência humana, abordando temas como a efemeridade do tempo, a busca por sentido e as complexidades das relações interpessoais. A sua voz poética distingue-se pela introspeção e pela capacidade de evocar imagens vívidas e emoções subtis, convidando o leitor a uma reflexão sobre a sua própria existência.

Rio de Janeiro
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Reminiscência

Um dia, o vento não soprará
E tu chegarás das cinzas,
Tal como Fênix
Saindo do álbum de retratos
Onde moras,
Que se foi há tempo
Nas chamas da ilusão...

Um dia, quando tu fizeres parte de mim,
E eu puder te tocar,
E fazer de ti minha mulher,
Serei eu o homem
Mais feliz de toda a corte,
Acho mesmo que de todo o mundo,
Pois voltarei ao tempo
Onde o passado será o presente,
E colherei o lírio que não te dei
E o beijo que não te roubei!...

Temo acordar de repente
E perceber em que século estou
E o olhar para as muralhas do tempo,
Aprisionando-me ao limite da memória
Onde a plena percepção chega apenas
Em forma de intuição
Nas brechas profundamente marcadas
Em minha alma...

Padeço
Pela mera possibilidade do fechamento desta fenda,
Agoira cavada por mim,
Neste instante de consciência,
Pois, se assim o for,
Perder-me-ei no amor reminiscente,
E o brilho dos teus olhos não se fará presente
Aos meus,
E tudo emudecerá,
Pois não mais ouvirei tua voz...

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